O Beijo sem Fadiga

Na cadência sutil de um beijo sem fadiga, eles se encontraram, atraídos pela magia de uma noite buliçosa.

 

O tempo, sempre escorregadio, encontrou um breve instante de suspensão, permitindo que as línguas espiculosas e os pelinhos se enroscassem, dançando em uma sinfonia de percepções.

No labirinto urbano, onde cada esquina esconde seus mistérios, Doris Lessing, a gata azulada, e Gabriel de Deus, o gato astuto, descobriram seu próprio refúgio. As ruas pulsavam com o eco das palavras não miadas, enquanto os olhares penetravam as almas, despindo ronronar ancestrais.

Rita Lee, a musa rebelde das canções e das palavras, aproximou-se da cena com sua voz suave de ovelha negra: “Ah, gatos amantes, vocês são personagens de uma história que se escreve no silêncio… levam uma vida sossegada, gostam de sombra e água fresca. Meu Deus, quanto tempo eu passei sem saber! Uh uh…. esse beijo sem fadiga, há uma linguagem que transcende o tempo dos gatos e rompe as barreiras da realidade.”

Clarice Lispector, com sua prosa introspectiva e filosófica, sussurrou em meio aos suspiros dos felinos: “O beijo sem fadiga é a conexão que escapa à lógica e se rende à intensidade do instante. Doris e Gabriel, vocês são protagonistas de um enigma, de uma busca incessante pela plenitude. Sua união é a expressão sublime da existência peludinha.”

Doris e Gabriel, em meio a esse encontro fugaz e transcendente, deram vida a uma nova geração de felinos: Benjamin, Ulysses, Senhorita T e Claudine Colette. Eles nasceram no caldeirão de paixões, herdeiros da coragem de seus pais para enfrentar os desafios da vida e escrever seus próprios destinos.

Na alcova clandestina, onde a penumbra acariciava seus corpos felinos, Doris sussurrou para Gabriel com miado carregado de fofurice: “Nossos filhos são a continuidade da nossa saga, as almas ardentes que herdam o legado da escrita. Eles são os destemidos navegadores das palavras, caçando horizontes desconhecidos e desafiando as amarras da conformidade, meow.”

Gabriel, com seus olhos brilhantes refletindo a chama da rebeldia, respondeu com miado grave e firme, enquanto fazia curvas suaves com a cauda apontada para o ar: “Sem dúvida, querida Doris. Nossa linhagem carrega consigo a liberdade criativa, capaz de rasgar as convenções e deixar azunhadas indeléveis. Nossos filhos serão as vozes que ecoarão pelos séculos, marcando com garras afiadas as páginas da literatura.”

A vida dos filhotes tomou um rumo inesperado quando foram adotados por uma escritora que passava diariamente em frente à cabana onde Doris morava e na janela onde Gabriel suspirava, a esperar ansioso por sua amada Lessing. A escritora, fascinada pela irresistível linhagem dos gatos, acolheu-os em seu lar, desconhecendo a intensidade do amor que os unia…

O que vai acontecer depois? Te conto na próxima edição.

Heliana Querino

Heliana Querino Jornalista

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Heliana Querino Jornalista