BEBA DO SONETO

Cruel vontade de beber como de sumir
Cruel sumiço da bebida consumida
Já anuncias pois a hora da partida
A hora inexata de o bêbado partir

Gente cruel e tanto de nos ouvir
Já não ocultas estratégias de ouvida
Gente que esqueceu a própria vida
Espera ansiosa o mundo enfim ruir

Não espero um Deus a redimir
A mediocridade tão ida e vinda
A uma hora a todos vida finda

A corda eslava então irá ferir
O barco nos espera, espera inda
A esperança, irmão, já nos deslinda

Airton Uchoa

Escritor, leitor e sobrevivente.