Sobre Marta Pinheiro

Poetisa, natural de Fortaleza, Ceará. Desde pequena demonstrou grande interesse pela literatura, aos 9 anos de idade fez seus primeiros rascunhos. Autora de contos e poesias que retratam cenas cotidianas. Atua como produtora cultural. Foi uma das fundadoras do Bloco Carnavalesco Hospício Cultural e uma das idealizadoras do projeto Sarau Casa de Poesia, iniciado em 2015 juntamente com a poetisa Carol Capasso. Teve dois de seus poemas publicados na antologia poética “ Flor de Resistência” organizado pelos escritores Ricardo Kelmer e Alan Mendonça. Seu livro de estréia é “Engenho de Dentro”, em processo de finalização.

Amiúde

Tenho caminhado vida adentro, em passos curtos e descansados – sem lugar para equívocos. Por todas as estradas, pelas quais me aventurei passar, desde então, se mostraram mais floridas, iluminadas e belas. Como se houvesse um sol a me guiar,

FALTA-ME O AR

Quase 300 mil vidas
ceifadas de um último abraço
e sem que pudessem respirar seus lares
e sentir o amor borbulhante
…que pulsa no coração de quem fica
partiram rumo ao olimpo
para descansar os sorrisos que outrora nós fizeram sorrir e
valsar a música dos encantados..
fazendo

Pérola Negra

sou preta na cor..
sou força!
coragem e fervor.
carrego o batuque no peito
e meu legado eu trago no sangue.
sou preta na fé..
sou tambor!
capoeira e axé.
sobrevivi aos quilombos
depois de descer do navio negreiro.
sou preta na dor
fui mucama e ama de leite
me fizeram escrava

SERES VOLÁTEIS

Suas idéias dependem da direção dos ventos. A partir daí alçam vôos, mas jamais voam firmes, seguros. A incerteza é seu anjo protetor, mas támbem seu corruptor, seu guia. Hoje sim. Amanhã não. Quero agora. Depois? Quem sabe?!.
Como se pudessem

Fortaleza 294

Fortaleza é tão grande que amedronta, antes, seguramente, nos enfeitiça. É grande na beleza, no tamanho e nos desafios. As praias mais bonitas são, sem medo de errar, as nossas. Dunas brancas e rubras: cor de sangue. Mar verde, de

DEUS TEMPO

O senhor tempo é o Deus maior. Nos ensina a importância de todas as coisas e nos mostra por quais devemos lutar. O que vale a pena e o que devemos abandonar. Quem segue conosco pela estrada florida e quem

O Artífice

– Ó quão desassemelhado és tu
do que me faz suspirar.
Meus versos brancos e livres,
cantam o perfumado amor.
Eu desejei por dez vezes,
o estéril filho do deserto.
O destemido escriba,
dos enredos nefastos.
Cessei de querer-te,
quando com destreza,
sitiastes minha luz!
Cantemos ao sol amarelo
que fez apagar

OBSCURIDADE

vejo tudo fosco
borrado, meio sujo.
foi o grito que rompeu com o ontem
mas que até hoje ecoa.
tem ontens em todos os hojes.
faz sol,
chuva
e novamente ecoa.
Já é noite.
Aquele sujeito permanece de costas pra mim?
…esguio, pálido, exaurido.
um poço de desconvivência!
vire-se! você não me

In-verso

é o inverso de tudo que fala. o avesso.
é aquilo que nunca foi, mas imagina ser.
publicita seu sonhos como se fossem reais e tem quem os compre.
arma a lona
veste uma capa
e ao virar-se…
avista arquibancada cheia!
é o palhaço do circo do

Cada palavra não dita

Cada palavra não dita, adiada, contabilizo um dia a menos de sol.
É aquele abraço apertado, que nunca irá receber. É o beijo demorado, guardado, que não chegará.
Cada palavra não dita, engasga, sufoca.. fazendo cair chuva até inundar.
É sorriso de menos

Sobre os meus ídolos

Grande parte dos meus ídolos moram aqui e dos meus heróis, também. Tudo gente simples, livre, criativa, sensível e anônima. Quase nenhum deles se benze. Nunca aprenderam a bater continência, mas batem tambor com maestria. Alguns não sobem ao palco