Sobre Heliana Querino

Heliana Querino - jornalista, escritora, pesquisadora, coordenadora de Cultura em SegundaOpinião.jor Um cronópio num mundo repleto de Famas. Metade de minha alma tem quinze, a outra, duzentos anos.

Desenho do céu

rostos disfarçados de nuvens se despedindo antes de subir pro céu
mesmo querendo tremer o beicinho
atiça o fogo e inventa uma receita de queijo
parece que acertei a dica de dona Dedinha
inhame
crocante
açafrão
vamos anda come
para de olhar pro céu
você já é grandinha ninguém

Fio travoso

Acende a fogueira e aquece as paredes de aço
Do bico do bule até o chão da xícara
A mágica acontece
Um fio travoso retalha com precisão a nuvem alva com cheiro de felicidade
Olha o que eu achei, – o mar – infinito

Quem sou eu

A noite e as estrelas contadas nas pontas dos dedos. No terreiro, deitada no chão, eu.
A luz do candeeiro, o santo na parede e o cheiro de canjica com canela. Vovó lina na cozinha e vovô Chico com o radiozinho

Março

Inclina o perfil e abre a porta da sala
tece páginas, casa palavras e inventa letras
março veio com chuva, mesmo assim o sol parou mais do que de costume na persiana da minha janela
pede licença a Cecília e avisa para o

E todos os outros querem ser felizes

Caso sério! Qual a solução?
Guarde para mim algumas tardes de verão para quando você voltar.
Traz um pouquinho da neve que te reservo um tanto do meu mar.
Noites negras! Guarde ainda as cores do teu olhar. E não esqueça, o que