Sobre Airton Uchoa

Escritor, leitor e sobrevivente.

GAY-LUSSAC

Homem bêbado, à noite,
Sem medo da chuva e do relógio,
Esquecido das mulheres e desejo. Ébrio homem,
Com seus resquícios de civilidade e dinheiro
Amarrotado, bem poquinho.
Quando o sol vier mal saberá do dia que passou;
Quando o sol se for também as últimas

LÍRICA LUSITANA

Pois também já fui paneleiro, ora,
Que para ser teu amante completo
Era preciso que, feminino, me pusesse
No teu lugar e na tua posição. Pois,
Passivo, ativo, aéreo, fui também
Paneleiro. E senti na face nua
O cuspe rançoso e grosso da chamada sociedade
E ouvi

CHANSON D’AMOUR

Para Andrea Rossati
Angustiantes,
Repetitivos,
Sensuais
Arranjos de contrabaixo acústico
Em jazz
Na noite sonhada da capital do estado sertanejo;
Enquanto isso,
Indiferente à música ou
Ao som de outros acordes,
Na esquina da avenida,
Ela espera,
Feito os sábios,
Pelo que pode vir
E pelo que não virá nunca.
Apostou mais uma vez,
Dados e

NUNC

Par’ além do sempre, sempre o nunca
Preciso mastigar o alho entre os dentes em nome da imortalidade
Embora para além do sempre, sempre o nunca
Espero que me esperem os amigos que espero
Pois para além do sempre, sempre o nunca
Preciso morder a

UBERIA

O mundo é um lugar adverso em que
A mesma terra que lhe dá nome seca ao
Fogo e ao tempo. O próprio amor, Deus,
Não vai além das parcas esperanças dos
Imbecilizados olhos, feito o dito do
Antigo sábio do mais silencioso
Cristianismo. Quem me

Um aforismo respirável de Pascal

Mas como é que se explica saudade?
Como é que se explica a coisa
Que nunca tem sentido e sempre tem razão?
Como é que se explica o ar quando se respira
E como é que se explica quando falta?
Surgiu feito uma planta inesperada;
Feito

INCONFIDÊNCIA DA BARRA DO CEARÁ

Para Reginaldo da Silva Domingos, Metafísico chamado, e os seus,
Para Rafael Caldas Moreira, em desertos o Chacal,
Para Loreto e Marlon, nos oceanos e fora deles, ahoy,
Pois que mesmo no asfalto é oceano a vida,
E vale nos aléns a profecia do