As multifaces do agro (Parte 1)

Há quem pense que o agro significa progresso. Há quem pense que o
agro significa devastação. E há quem pense que o agro pode desempenhar
ambos os papéis. E quem nunca ouviu aquele famoso slogan propagado por
uma certa emissora: “Agro é tech. Agro é pop. Agro é tudo.”, ou as frases de
efeito crítico levantadas pelos movimentos sociais, como: “Agro é tóxico. Agro é
morte. Agro é escravidão. Agro é latifúndio. Agro é câncer. Agro é
desmatamento. Agro é fogo…” Mas o que realmente é o agro?
Primeiramente devemos observar que agro, nada mais é do que uma
sigla que nos remete a algo relacionado a agricultura, e que portanto, poderia
ser abreviação de palavras relacionadas (agronomia, agronegócio, agrotóxico,
agroecologia, agrofloresta, agropecuária etc.), mas mais do que isso, agro nos
remete ao ato de cultivar/produzir/criar alguma coisa em uma determinada
área.
No entanto, este termo é majoritariamente utilizado para referir-se à
palavra agronegócio. E aqui não vou me prender a ponderar se é correto ou
não a utilização do termo “agro”, para designar apenas à palavra
“agronegócio”, independente se seja como forma de crítica ou apenas uma
forma de representação do setor.
O que tentarei mostrar, são as multifaces que o “agro” (entenda-se como
um termo geral) apresenta, do ponto de vista socioambiental. Quais os
impactos que ele causa? Pois dependendo da forma em que a agricultura é
posta em prática, causará danos ou não à vida social e ambiental. De que
forma se apresenta? Os modelos seguidos por quem faz agricultura muda
bastante, dependendo do objetivo, lugar e do compromisso dela, com a vida e
o meio ambiente. E como o “agro” pode ser usado como ferramenta promotora
de mudança e superação desse sistema fetichista patriarcal produtor de
mercadorias.
Portanto, neste artigo e nos demais que advirão, o termo “agro” não será
sinônimo apenas de agronegócio, ou seja, será mostrado as pluralidades que
existem nas formas de fazer agricultura, sendo abordado seus aspectos
técnicos, mas também sendo dado um olhar crítico acerca dos aspectos
positivos e negativos que tais práticas causam à vida humana, animal e
ambiental. Assim também como as perspectivas de futuro das multifaces do
agro, visando a preservação dos recursos naturais, o abastecimento humano e
animal, a redução urgente do desmatamento, poluição, contaminação de rios,
solo e mares, o uso desenfreado de agrotóxicos, o desafio do uso consciente
da água, o agro frente ao desequilíbrio ambiental e as mudanças climáticas
dentre outras questões.

                Dalila Martins

Dalila Martins

Maria Dalila Martins Leão é Eng. Agrônoma pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente é Mestranda em Agronomia/Fitotecnia pela mesma instituição. Amante da natureza e entusiasta na luta pela Emancipação Humana e Ambiental!

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