AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE SÃO PAULO LEMBRAM A DESCONSTRUÇÃO DA REPÚBLICA DE WEIMAR…

Boulos e Weimar: nada a ver?

Em 1933, o Reichstag alemão incorporou maioria eleita do Partido Nacional-socialista e fez o Chanceler, um personagem controvertido, Adolf Hitler.

A eleição, como a designação do premier e a maioria nazista, foi um passo decisivo para a queda da República de Weimar e o início do III Reich. O resto a História registra.

As eleições para a prefeitura de São Paulo, neste ano, porão em confrontação, em um prélio “nacionalizado” e ideologicamente pontuado, o que prosaicamente chamamos por aqui de “esquerda” e “direita”. Boulos parte com sede de sangue para a derrubada do PSDB e pede a proteção de todos, de Lula a Marta Suplicy….

Bolsonaro vive de uma ilusão: pensa que é de fato um “mito” e pode enfrentar a esquerda lulista. Em cinco anos ou mais Bolsonaro será apenas uma vaga lembrança — por culpa sua.

Não é Bolsonaro, afinal, quem conta. É esta eleição para a prefeitura de São Paulo que põe em risco a democracia brasileira.

A vitória de Boulos, seja o que este nome e a criatura que o personifica signifiquem, sobre quaisquer outros
candidatos, tem um cheirinho do ano alemão de 1933. Et pour cause.

Será a vitória do lulismo sobre o bolsonarismo, duas incógnitas que só aos descuidados da razão podem convencer. Dela sairá o condestavel senhor de todos os anéis, Lula I, com o enfileiramento das adesões tardias, finalmente alcançadas.

Depois de um “acordo” entre a população castrense e a alta judicatura, a vitória de Boulos recrutará gregos e troianos da mais distinta sociedade paulista, empresários e empreendedores como gostam de parecer esses ilustres figurantes. Essa gente da rica e poderosa elite paulusta, e os pobres, com mais razão, nunca leram Lênin ou Trotsky. Não sabem como se processa, na prática, o advento do que se chama “progressismo” ou “democracia social”, entre entendidos…

Das eleições municipais de São Paulo sairá o novo e incontestável Senhor de todas as lides ideológicas e de todas as distopias e metáforas políticas.

Nem Trotsky teria feito melhor, com toda a sua cultura de formulador e estrategista.

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.