Águas de março

Março chegou apresentando muita movimentação no tabuleiro da política cearense, mostrando o quanto serão intensas as articulações neste mês, em virtude da abertura da janela partidária a qual permite entradas e saídas dos atores políticos das siglas às quais pertencem, visando a composições e alianças que lhes viabilizem auferir resultados positivos no próximo pleito eleitoral. Ontem, 8, chamou atenção dois movimentos entre duas forças políticas antagônicas, rachando ao meio o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que disputam a ferro e fogo a indicação à disputa na condição majoritária.

Por um lado o ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT), representante da corrente cirista, o preferido da oligarquia Ferreira Gomes para a disputa ao governo do estado, reuniu-se com 32 vereadores e vereadoras de Fortaleza, da base do prefeito Sarto, no Hotel Iate Plaza, buscando consolidar o apoio à sua pré-candidatura.

Do outro lado da disputa está a corrente camilista, do governador Camilo Santana (PT), que aposta todas as suas fichas na indicação da vice-governadora Izolda Cela (PDT). Na inauguração do novo Complexo da Procuradoria Especial da Mulher, evento ocorrido também na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa do Ceará, o governador em seu discurso afirmou que “Izolda será a primeira mulher na história a assumir o Executivo estadual de forma efetiva”.

Com um acúmulo político de oito anos ininterruptos à frente do Executivo estadual, considerado um dos melhores governadores do Brasil, ciente do acúmulo de tal capital político, Camilo tem plena consciência da necessidade de partir para o ataque se por ventura quiser consolidar-se como uma liderança política de verdade, saindo da sombra dos Ferreira Gomes.

De fato, a debilidade do evento de Roberto Cláudio, ao encontrar-se com vereadores, indica o quanto ainda ele está atrelado a sua experiência municipal passada, enquanto Camilo representa a pujança do presente, ladeado pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa. Além disso, Camilo tem plena consciência de que sem o seu partido – Partido dos Trabalhadores (PT) – ele não conseguirá alcançar o resultado almejado. E é público e notório que tanto o nome dos ciristas Roberto Cláudio como o de Mauro Filho são vetados pela totalidade da direção do PT e de sua militância.

Mas, como se isso não bastasse, devido a este forte racha do PDT cearense, uma fonte ligada à direção nacional do PT informou-nos que corre agora em março uma pesquisa de opinião pública e intensão de votos para o governo do estado do Ceará, no sentido de fornecer elementos mais balizados sobre a viabilidade da candidatura própria do PT ao governo do Ceará. Conforme alude a canção, “é pau, é pedra, são as águas de março”. E estamos apenas no começo.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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