Aberta a temporada de definições

No mês de março as movimentações políticas foram marcadas pelo antagonismo de duas forças, rachando ao meio o Partido Democrático Trabalhista (PDT), as quais disputam a ferro e fogo a indicação à disputa na chapa majoritária ao governo do estado do Ceará. Por um lado o ex-prefeito Roberto Cláudio, representante da oligarquia Ferreira Gomes; do outro lado da disputa está a corrente do governador Camilo Santana (PT), que aposta suas fichas na indicação da reeleição da governadora Izolda Cela (PDT).

Camilo tem plena consciência da necessidade de partir para o ataque se por ventura quiser consolidar-se como uma liderança política de verdade, saindo da sombra dos Ferreira Gomes, buscando explorar a debilidade político-eleitoral do candidato Roberto Cláudio que tem sua imagem atrelada à experiência municipal na capital, sendo pouco conhecido no restante do estado. Por isso levou consigo Izolda Cela em todos os eventos oficiais de inauguração de obras e equipamentos no último período de sua gestão nos diversos municípios cearenses.

Na outra margem, agora no mês de abril, atentos à forte tensão pela qual atravessa a sigla partidária pedetista no estado, integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) deflagraram um processo de conversações e consultas às suas bases dirigentes e militantes no sentido de medirem o grau da viabilidade de uma candidatura própria do PT ao governo do estado. É pública e notória a revolta da totalidade dos petistas cearenses diante dos ataques covardes e meliantes de Ciro Ferreira Gomes (PDT), realizados de forma sistemática e taticamente planejada, ao Partido dos Trabalhadores e ao candidato à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva. Os dirigentes petistas sabem muito bem que tais ataques poderão levar boa parte da militância a votar em outro candidato ao governo do estado, no caso, na candidata Adelita Monteiro (PSOL), caso o PT não se posicione firmemente nesta questão.

Neste sentido, dois nomes despontam com fortes possibilidades de serem escolhidos para a disputa ao governo do estado pelo PT. De um lado o deputado federal José Airton Cirilo, com um acúmulo político de haver sido prefeito de Icapuí, em duas gestões; vereador de Aracati e de Fortaleza; deputado federal por quatro mandatos consecutivos. José Airton destaca-se por ter iniciado, no início de 2021, um amplo debate por todo o estado, da necessidade de o PT construir um palanque leal e forte para o presidente Lula nesta eleição, com um programa de governo local que esteja plenamente sintonizado com o projeto nacional a ser implantado com a eleição de Lula. Do outro lado está a deputada federal Luizianne Lins, tendo sido vereadora, deputada estadual e por duas vezes seguidas ocupado a titularidade da prefeitura de Fortaleza.

Importante registrar ainda que nesta configuração de candidatura própria do PT ao governo do estado, o ex-governador Camilo Santana (PT) joga um papel relevante, podendo inclusive, além de eleger-se senador, simultaneamente consagrar um companheiro do seu partido ao executivo estadual. Trata-se de aguardar os próximos movimentos do tabuleiro.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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