A verdade e a mentira, o líder e o energúmeno – JANA

Estou começando a ter uma sutil e ligeira desconfiança de que algo está podre no reino da Dinamarca e que os maus cheiros, sabe-se lá por que meios e correias de transmissão, estão chegando a estas terras tropicais, talvez venham montadas nas fumaças do fogo australiano, com repercussão nas águas fluminenses e na cerveja mineira.

Estou quase achando que algo de estranho aconteceu na política deste país. Das duas uma: ou algo de bom foi interrompido ou algo de ruim nasceu e aconteceu. Existe a hipótese, claro, de que as duas hipóteses se articularam para acontecer em sequência. Uma coisa é certa: todo mundo sabe de quem é a culpa, a máxima culpa.

Estou me aproximando de crer que se desenha no campo da economia um experimento revolucionário. Talvez estejamos mais perto do que longe de provar que pode, sim, acontecer, consequência sem causa. Gênios e sábios trabalham para propor algo que todos já sabem e afirmam desde há uns quatro anos que é perfeito, o únco caminho, a completa salvação. O que é, um dia saberemos, mas algumas etapas já foram cumpridas.

Na gestão da coisa pública, penso estar divisando um novo estilo e um novo paradigma de desempenho. Vamos encontrar o extremo do melhor caminhando sempre e firme na direção do pior. É preciso ter fé e confiar, não importa o que se diga, não importa o que se faça, acredite e apoie. E daí se não der certo? Se piorar, mesmo assim haverá uma vantagem, ficará mais fácil de melhorar.

As relações entre as pessoas estão mudando. Estamos cada vez mais próximos do estado natural, quem sabe voltamos a ser lobos. As emoções fundantes da raiva e do medo estão recuperando seu espaço de dominação, livrando-nos a todos do razoável que é absurdo, do ridículo bom senso e da inútil capacidade de apenas conversar.

Enfim, na escuridão brilha alguma faísca, sim, só uma faísca, mas não é de esperança. É a faísca da história. Estou começando a desconfiar de que toda a verdade era mentira. Em compensação toda mentira pode ser considerada verdade. O líder pode ser um energúmeno. Em compensação, o energúmeno pode ser um líder.

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

Mais do autor

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.