A SAÍDA É PELA LUTA POLÍTICA

A partir de 2013 o Brasil, líder nos BRICS, sexta economia mundial, com reservas internacionais da ordem de US$370 bilhões (algo inédito na história do país), pela primeira vez posicionado como credor do FMI, com taxa de pleno emprego, detentor da maior reserva petrolífera mundial ao nível do Pré-Sal, com a gasolina custando R$2,50, o botijão de gás de cozinha R$40,00 e havendo superado a histórica fome estrutural do paísinexplicavelmente começava a ser atacado por manifestações de rua, que rapidamente passaram a ser comandadas por recém-criados movimentos como o MBL (ligado ao ex-juiz Moro, codinome Russo) e o Vem pra Rua (ligado ao procurador Deltinha), dando início ao cenário de Guerra Híbrida em nosso território.

Guerras Híbridas são largamente planejadas no exterior do país-alvo pela decisão dos EUA em derrubar governos que não lhe são submissos e estão estrategicamente localizadopara os seus interesses imperialistas de espectro total. Em 23/06/2013, a edição especial da Revista Veja estampava na capa seu impulso tático, e orquestrado com outros veículos de comunicação, a essas operações de guerra: “Onde vai parar a maior revolta popular na história da democracia brasileira?”.

De fato, a Guerra Híbrida iniciada em 2013 atingiu seu objetivo ao manipular a opinião pública e criar o clima favorável para o Golpe de 2016. As manifestações de rua juntamente com a Operação Lava-jato e a Mídia global conseguiram criminalizar os partidos progressistas; derrubar o governo da Presidenta Dilma Rousseff (PT); prender ilegalmente o Presidente Lula, impedindo-o de vencer a eleição de 2018; transformar o Brasil em terra arrasada e num pária internacional; militarizar o governo federal, colocando na presidência um político medíocre, de matriz fascista, que bate sistematicamente continência ao poder estadunidense.

Contudo, nos planos golpistas, havia uma pedra no meio do caminho com a qual não contavam: a Covid-19. A Pandemia veio escancarar a incompetência do grupo que assaltou o poder. Não só a incompetência, mas o descaso e a maldade para com a população brasileira, o meio ambiente e o patrimônio nacional. Também desnudou o compromisso estreito e exclusivo desse grupo com o grande Capital. O coronavírus veio desmascarar a crise estrutural de um modelo falido fundado na financeirização da economia, incompatível com a vida no planeta e com a democracia plena e substantiva.

Não fosse o empenho político das forças progressistas na Câmara Federal, em 2020 as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros teriam um valor menor e por um prazo reduzido o auxílio emergencial. O Congresso nacional dobrou a proposta inicial do executivo de R$300,00 para R$600,00 (seiscentos reais) e por um prazo muito maior do que o proposto pelo governo Bolsonaro.

Mas agora em 2021, o governo federal, com toda a sua incompetência política, estancou o pagamento do auxílio emergencial por três meses. Propôs apenas, por meio da Medida Provisória 1.039, valores de R$150,00 para quem mora sozinho (um botijão de gás está custando R$98,00), a R$375,00 para mulheres chefes de família monoparental. Um verdadeiro absurdo.

Recentemente a grande mídia deu relevo ao Plano Bidenpara a recuperação da economia estadunidense da ordem de US$ 2 trilhões de investimentos do Estado em áreas estratégicas e geração de postos de trabalho. Entre as medidas estão o aumento do valor do auxílio emergencial para US$ 2.000 (dois mil dólares) mensais e a elevação do imposto federal para as empresas de 21 para 28%.

No ano passado, em setembro de 2020, o Partido dos Trabalhadores já havia apresentado à sociedade o Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil, o qual não foi repercutido pelos meios hegemônicos de comunicação social.

Uma das características do Plano é ter a marca da pluralidade democrática e o selo das grandes causas populares. Em segundo lugar, destaca a importância do papel do Estado na ordem econômica e social com sua forma de financiamento, juntamente com a afirmação da democracia. Necessário é aprofundar seriamente o conceito do papel essencial do Estado na reconstrução e transformação de uma nação.

Como se vê agora ocorrer nos EUA, o gasto público é essencial para dinamizar a economia e proteger as populações. Hoje no Brasil calcula-se que cerca de 100 milhões de pessoas sofrem pela insegurança alimentar.Os investimentos do Estado, além de suprirem as grandes carências sociais e de infraestruturas, são geradores de emprego e renda para as populações.

Sendo assim, é preciso fortalecer os serviços públicos gratuitos e de proteção social, como o SUS, o SUAS, o sistema educacional, por meio do novo Fundeb e do Plano Nacional de Educação, além de estruturar o Sistema Único de Segurança Pública.

É inadiável a retomada da construção de um Estado de Bem-Estar robusto, com o sistema de aposentadorias dignas e assistência efetiva a todos que dela precisem, inclusive por meio da ampliação do programa de renda básica Mais Bolsa Família. Distribuição de renda e erradicação da pobreza deve constituir o eixo fundamental do novo modelo a ser implantado no Brasil, fundamentado na sustentabilidade social.

Com Bolsonaro, por um erro histórico, o Brasil entrou no Estado de Mal-Estar social, pelo embrutecimento das almas que este governo patrocina, além do sofrimento imposto aos corpos das pessoas famintas pela falta de políticas de proteção social. A única saída desse Mal-Estar causado pelo bolsonarismo só pode se dar pela incessante luta Política.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Religião em tempos de bolsofascismo (Independente); Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .