A Rainha e os descartáveis

Artigo 1°
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.” (Declaração universal dos direitos humanos)

Diante de tantas homenagens e condolências pela morte da cidadã Elisabeth de Windsor, venho expressar que a citada senhora não é mais importante ou digna do que ninguém. Do que milhões que morrem por dia ao redor do planeta. Em um mundo em que cerca de 2/3 da sua população vivem à margem da miséria. De crianças na África, América Latina e Ásia que morrem de subnutrição. Dos iemenitas, notadamente civis, crianças, mulheres e idosos, bombardeadas pela monarquia saudita, sob o olhar compassivo e condescendente dos “civilizados” países ocidentais, componentes da OTAN.

E não. A Sra Elisabeth não realizou nenhum feito extraordinário. Somente nasceu em uma família privilegiada e foi favorecida por uma instituição medieval, pautada na ideia de uma sociedade estratificada e a naturalização da desigualdade, com a qual não condescendo.

Há de lembrar-se, por imperativo de consciência, a colonização britânica na África do Sul, Rodesia, Nigéria, Somália, Jamaica, península índia e ilhas do pacífico, com o uso de expressiva violência para viabilizar a espoliação desses povos, que até os dias atuais padecem as consequências da dominação.

Presto minhas condolências às vítimas da desigualdade, da fome, da ausência de um sistema de saúde, das guerras, patrocinadas por quaisquer nações, notadamente o Reino Unido, enfim dos que são tratados como descartáveis.

(Paulo Pires)

Paulo Pires

Advogado Ex vice -presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB/CE

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