Os cristãos primitivos não se reuniam para celebrar o natal. Este evento data do Século IV, quando o cristianismo foi tornado religião oficial, e em substituição a festa pagã dedicada ao “deus sol”. Antes, são Nicolau de Mira, bispo católico ficara conhecido por sua generosidade com os pobres dando-lhes presentes nesse período. Vem daí a ideia de presentear o outro. Somente na década de 1930, o papai Noel ganhou o aspecto comercial que conhecemos hoje.
Com sinceridade, não estou preocupado se o papai Noel estar no imaginário popular, ou perdeu o contato com as massas. Quero focar na centralidade da mensagem do natal. Penso que nesse período há mais cumplicidade. As pessoas são mais tolerantes e solidarias. Há registros de que os soldados da 1ª guerra mundial fizeram, de forma espontânea um armistício de natal. Inimigos pararam suas armas, ergueram suas mãos, cruzaram as trincheiras e foram celebrar o Natal com o outro. A guerra parou no natal 1914. Veja onde o Natal chegou!
Eu acredito no natal como um processo humano. Não com a ingenuidade dos tolos, mas, com a altivez da esperança no nascimento. Apesar do comércio e dos shoppings, das vendas e dos avarentos, no geral há muita humanidade. Há uma “vivência concreta e consequente” nas ceias, na liturgia ou simplesmente no ar. Os gestos de caridades se reproduzem.
Bem que poderia ser de justiça social a universalizar à cidadania, à mobilidade, à habitação, à renda digna. O natal poderia significar o fim da exclusão social, talvez, o fim da escala 6 x 1; ou da tributação desequilibrada das economias modernas. Isso um dia há de acontecer como processo, e não como mágica, se reafirmamos o sentido político do natal.
Aqui boa razão tem Frei Betto ao sentenciar: “sou discípulo de um preso político… que não morreu de morte natural, nem da queda de um camelo, mas torturado e morto.” Este sentido, é perigoso porque faz refletir, afetar e mobilizar a partir da figura política de Jesus Cristo. De verdade, é preciso historicizar o “aniversariante”, especialmente quando se opôs ao estado opressor, a economia concentradora e ao fundamentalismo religioso.
Outro dia dialogando com um “cristão conservador” confesso, lembrei-o da contradição dos termos. Ou você é cristão ou é conservador. Ser os dois é impossível. Sob seu olhar gélido continuei: Cristo, a quem você diz seguir, não era conservador. Pelo contrário, foi radicalmente revolucionário até à morte. E morte de cruz! Destino reservado aos presos políticos “perigosos.” Os perturbadores da ordem pública. O objetivo era eliminar os inconformados, método bastante difundido em ditaduras.
Leonardo Boff ao sustentar “não é natal apesar de tudo, mas apesar de tudo é natal” alerta que o natal como mensagem política é revolucionaria, pois abre possibilidades. Talvez, momentânea, mas potente. Quiçá espontânea, e até pertubadora, mas definitivamente capaz de provocar a ruptura com o óbvio fazendo brotar a fina flor da esperança até que a beleza da mudança nos conduza a uma nova sociedade.
O natal é! Porque há possibilidade.
Respostas de 2
Ainda que haja lampejos de análise política, conservadorismo ou revolução, o artigo traz essencialmente a mensagem cristã do Natal, uma festa que fala de amor fazendo renascer a esperança.
Muito interessante esse texto. A gente se envolve nos festejos familiares, se preocupa com presentes e com quitutes e não tem tempo para refletir na história do Cristianismo e origem do Natal. Na realidade, ambos evoluíram com o passar dos séculos. Ser Cristão é um conceito pessoal. Muitas vezes esse conceito não corresponde aos ensinamentos filosóficos da religião.