A porta de saída – por CAPABLANCA

Nos últimos quatro anos, o partido que estava no poder foi especialmente atacado e profundamente ferido, depois uma eleição teve seus efeitos práticos anulados (a presidente eleita foi impedida de governar e depois deposta), um ex-presidente da República foi velozmente acusado, julgado, condenado em duas instâncias e preso. Para que isso fosse possível, foi necessário e conveniente que houvesse um consenso na atuação da imprensa tradicional, criando um clima de urgência e emergência. Também foi indispensável que se flexibilizasse a regra constitucional da presunção de inocência, aquela que só permite prender depois do trânsito em julgado. Uma operação que envolve o Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça Federal forneceu o combustível e os outros elementos concretos para a construção desse ambiente tóxico. O Congresso Nacional fez o seu papel, digamos, político. O Supremo Tribunal Federal fez o seu papel, digamos, de guardião daquilo que não pode ser quebrado, sequer arranhado. E a sociedade, uma parte expressiva dela, foi conduzida a um estado tal de indignação e estupor, a uma tal ´beira do abismo´, que tudo era permitido, desde que houvesse ´mudança´.

A ´mudança´ foi feita. Partido enfraquecido. Presidente deposta. Ex-presidente preso. O poder trocou de mãos. Veio a agenda econômica. Lei do Teto de Gastos. Reforma Trabalhista. Venda rápida do petróleo do pré-sal, fatiamento e venda das fatias da estatal de petróleo, entrega do poder de veto do Estado sobre a empresa de tecnologia de ponta na aviação e sobre a monumental empresa de minérios, a aceleração da venda do controle da estatal de energia…Em andamento a reforma da previdência (capitalização e desconstitucionalização são a verdadeira pedra de toque)…no forno a reforma tributária.. depois outra reforma e outra reforma…É a agenda que não pode passar por eleição.

Foi eleito um presidente que não apresentou nenhum plano, nem na campanha, nem depois de eleito. Apenas disse que vai salvar o Brasil. De que e de quem todo mundo sabe.

Enquanto isso, na sociedade, recessão, juro alto, desemprego, enfraquecimento da demanda, quebra de empresas, destruição de cadeias inteiras de negócios, um clima ruim, um ambiente desestimulante.

Enquanto isso, no governo, um estranho processo que mais parece de destruição, de avacalhação geral.

Não, nada do que aconteceu e que continua acontecendo foi e é normal. Não, não insistam. Não, não dobrem a aposta. Brasileiros e brasileiras precisam encontrar alguma porta de saída desse labirinto infernal. Antes que a temperatura comece a subir de maneira irreversível.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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