A democracia brasileira é a nossa força – HAROLDO ARAÚJO

Cada nação sul-americana tem seus próprios problemas e diagnósticos de causas, que se transformarão em soluções bem diferenciadas e conforme suas peculiaridades históricas. Não é racional buscar caminhos incompatíveis com a própria estrutura democrática. No Brasil, a insatisfação da sociedade com os resultados da gestão pública, vem sendo alvo de encaminhamentos de soluções pela via democrática, ou seja, através de nossos representantes.

Boaventura de Sousa Santos, sociólogo de nacionalidade portuguesa, foi capaz de realizar tenebrosa previsão para o Brasil. Ele relaciona sua reflexão aos fatos ocorridos no Chile em que o povo vem mostrando sua insatisfação, após um aumento de passagem do metrô. A dimensão das manifestações é ampliada quando o Presidente Sebastian Piñera afirma que se trata da mais grave dos últimos 30 anos. As convulsões chilenas repercutem sim a insatisfação popular.

O Equador passou por idênticos problemas de insatisfação popular, mas o Chile era considerado como modelo de democracia bem-sucedida, quando comparado aos demais países sul-americanos. O sociólogo, de origem portuguesa, faz uma alusão às mudanças nas eleições de seu país, esquecendo que Portugal sempre foi dominado por correntes políticas mais à esquerda do que à direita. Menciona a Argentina como outra tendência à esquerda. Vamos aguardar!

O Dr. Boaventura esquece que Bolsonaro não foi eleito pelas correntes de pensamento de nenhum partido e nem assumiu compromissos com correntes políticas ou ideológicas, mas foi capaz de fazer um contrato direto com o povo. Esse contrato é que vai às ruas e até agora Bolsonaro tem cumprido o prometido: a principal proposta assumida pelo governante brasileiro, logo no início de seu governo, foi a reforma previdenciária que contemplasse os mais pobres.

Entre outras medidas de impacto direto na sociedade o governo assinou o Decreto 9.723/19 que simplifica a apresentação de documentos em processos federais, e assim tem recebido aplausos dos empresários. Assisti partidos de direita e de esquerda assacarem críticas com repercussão na mídia contra a reforma e, logo, uma resposta do governante, retirando do bojo da Reforma Previdenciária o regime de capitalização, pude compreender que aqui não é igual ao Chile.

Vivemos uma democracia em que os anseios populares vêm sendo ouvidos no Planalto. Tudo tem sido levado ao parlamento e os questionamentos apontados vêm sendo resolvidos democraticamente, fruto de um constante aperfeiçoamento do sistema político vigente. Não há demandas reprimidas, nem pleitos que não sejam alvo de pronunciamento nas tribunas do parlamento brasileiro. Temos uma Constituição e temos instituições democráticas funcionando.

Aqui no Brasil, há pelo menos 30 anos que nossos governantes fazem mudanças, tanto no campo da política como no da economia. Essa disposição de promover as mudanças tem sido nossa força na política e na economia. Por qual motivo não houve crises? Porque vamos nos adaptando e reagindo de forma compatível com as correções, sem causar convulsões. A greve dos caminhoneiros em 2018 e os protestos de 2013 foram momentos distintos de 2 governos.

Como cidadão brasileiro, não troco a nossa situação política e a econômico-financeira pela de nenhum dos citados. O que não podemos deixar de fazer é evitar idênticos erros. Considero um erro buscar o caminho mais curto da radicalização, como se vê em nossos vizinhos. Por essa razão eu digo que nosso governante tem sido aberto às mudanças necessárias, a exemplo do que dizia Ulisses Guimarães acerca da voz rouca das ruas: “Escutar e ver de onde vem o tropel”.

O forte do Brasil é a vocação de nosso povo pela cultura do diálogo. Não temos apego a ideologias, mas sim à boa gestão, assim considerada a do respeito à Constituição Federal.

 

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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