A consolidação de um paradigma de gestão, por HAROLDO ARAÚJO

Há evidente certeza de que a política brasileira não será mais a mesma depois do governo de Jair Bolsonaro. Os discursos para obter apoio popular nos novos pleitos estão no forno. O presidencialismo de coalisão pode estar no fim. Essa legitimação de uma nova política vem sendo contestada pelas viúvas da velha política. É assim mesmo! Todos os políticos sofrem com as mudanças, porque mudar exige algum esforço e vejo essas reações com naturalidade.

Fazer política sofreu um processo de desvirtuamento na direção da manutenção do poder, deixando para as “Calendas” a sua verdadeira origem: A “Polis” e o interesse público. Toda forma de obter apoio deveria se legitimar por esse caminho e certamente com esse objetivo maior que é o interesse público. Fica muito clara a posição de Bolsonaro: Todo poder emana do povo e por ele será exercido. Isso mesmo assim como manda a “Carta Magna”.

Nenhuma árvore se apoia em seus galhos, mas em suas raízes. Democracia é o povo no poder e aqui no Brasil temos muito bem preservada essa cultura. Não existe valor maior para a nação brasileira, que foi capaz de superar maus governos e saber tirá-los do poder conforma manda a Lei. Ainda pagamos elevado preço pelos erros que cometemos e que começou com a posse de Sarney como Presidente da República. Constitucionalmente a posse seria de Ulisses Guimarães.

Reconheço as realizações do governo Sarney, como foi importante o fim da conta única que abrigava duas autoridades monetárias e a intervenção no S.F.H. que extinguiu o B.N.H., mas não podemos esquecer que se obrigou a tomar algumas medidas que não fizeram bem ao país, como foi a moratória. Sua escolha foi fazer alianças para se preservar no poder. O seu sucessor na Presidência não seria alvo de impeachment se tivesse feito as alianças, será que não?

Agora temos um Presidente da República legitimamente eleito. Vale destacar que o poder político não deveria ter sido desvirtuado, como foi aqui no nosso país em governos recém-findos, em sua finalidade, qual seja a do seu exercício no sentido de sua manutenção: O poder pelo poder. A gestão da Polis (Estado) e o interesse público. Norberto Bobbio (1909-2004). Collor e Dilma fazendo ou não alianças foram afastados do poder. Lula e Temer foram apenados.

Aliança política para se eleger, aliança para governar e até para se manter no poder. Nenhuma delas foi escolha do povo que elegeu o atual governante. Bolsonaro fez uma aliança com o povo que o elegeu. Hoje mesmo dia 26.05.2019, pelos menos uma dúzia de grandes cidades promovem manifestações pacíficas de apoio ao projeto que muitos parlamentares não querem entender que se trata da vontade popular e não de um governante.

Aqui reside uma explicação da nova política: O governo busca fazer uso de sua legitimidade e cumprir sua promessa de campanha. A principal delas é o saneamento das contas públicas. Quando me dizem que o governo não tem rumos, discordo com veemência, e afirmo que os rumos são o da busca da confiança na gestão pública, de forma que possa atrair investimentos capazes de gerar oportunidades de trabalho.

Gostaria que todos os seus sucessores fizessem o mesmo que faz o atual governante. Bolsonaro fez uma aliança com o povo, isso é que é política voltada para o interesse público: Um novo paradigma. O que precisamos é consolidar esse tipo de política. Não me venham com a ideia de trocar o governante. O povo brasileiro escolheu esse caminho e pretende consolidar esse novo paradigma de gestão seja qual for o governante que venha a suceder Bolsonaro.

Um caminho que não tem volta. O caminho apontado por Norberto Bobbio: A gestão do Estado conforme o interesse público: Um paradigma e desejo de 58.000.000 milhões de brasileiros.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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