A confiança é a base da democracia representativa, por Haroldo Araújo

O iluminista Montesquieu (1689-1755) foi capaz de idealizar a separação dos poderes e certamente viabilizou a sobrevivência da monarquia pela opção democrática abrindo mão de poderes ao abrigar-se no parlamentarismo. O “Rei Absoluto” ao abrir mão de poderes não estaria (no condicional) transferindo-os para outrem, senão para o povo no parlamento: Aqui no Brasil, a democracia representativa vem sofrendo contestações e precisa se reinventar.

A Coroa Britânica legitimou a continuidade da monarquia porque soube interpretar a vontade do seu povo. Uma monarquia parlamentarista legitima suas ações ao saber convencer os representantes do povo daquele país sobre os mais candentes problemas a serem enfrentados. O presidencialismo aqui vem fazendo água por força de um indiscreto posicionamento de nossos representantes: Eles supõem que são os donos do poder!

A monarquia absolutista chegou à decadência e trouxe a separação dos poderes, hoje está consagrada nas mais modernas constituições. Um avanço e não um recuo que, em algum momento, poderá se verificar na democracia representativa, mesmo com a divisão dos poderes. Acontece que o poder perde legitimidade, também, quando se afasta dos anseios populares, sem que tenha consciência do prejuízo para que promova a mudança esperada.

Será que vão esperar a decadência total depois de séculos em que se sabe que tudo começa a ruir com a perda da credibilidade. O poder legislativo poderá estar se afastando do povo que representa por não estar solucionando problemas, mas, agora, está se transformando no “Problema”! Um dos problemas a que me refiro é o de não ter a humildade e sensibilidade de apoiar as reformas, uma esperança para 13.000.000 de desempregados.

Não foram capazes de entender a voz rouca das ruas, decantada por Ulisses Guimarães. Não estão sendo capazes de se mobilizar e esperam por articulação. Articulação de quem mesmo? Esperam que as coisas piorem? Seus rótulos ou participação de grupos não formais a exemplo do chamado “Centrão” que é catalisador das culpas em erros dessa informalidade grupal e beira ao ridículo. A culpa é do centrão e então não é de ninguém!

Por que razão não se apercebem do clamor de uma população assustada com os protestos de rua que se iniciaram em 2013 ainda no governo Dilma. Passados 6 anos, as manifestações de rua continuaram e agora são recorrentes: Manifestações de caminhoneiros, de forma estrondosa. Estão esperando por outra pior ou igual e que foi capaz de parar um país de dimensões continentais. Acordem representantes do povo!

Ainda recente, há menos de 30 dias, todos os Estados da Federação em suas principais cidades e capitais, em movimentos pacíficos, realizados num domingo, centenas de manifestações com milhares de pessoas desfilaram pelas ruas, mostrando cartazes com críticas ao parlamento e parlamentares. Não resta a menor dúvida que as insatisfações estão concentradas na inação dos representantes e apontada pelos próprios representados.

Todo poder emana do povo e por ele será exercido. Os nossos representantes abrigados em grupos de denominações informais se isentam de responsabilidade, será que sim? Acho que estão em cima do muro! Eles atingem a democracia brasileira pela inação, pela falta de assertividade. A manifestação do parlamentar deve ser bem entendida e clara, quando se sabe que é uma questão de resgate das finanças e do crescimento econômico.

A gravidade do momento não comporta disputas políticas e nem posturas de conveniência, porque elas destroem a base da democracia representativa: A confiança.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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