10 anos millôr

#10 ANOS 100 MILLÔR# – por Pedro Gurjão

“Que foi isso, de repente? Nada; dez anos se passaram. Não diga! Onde estávamos? É inegável – todos temos mais dez anos agora. (Millôr Fernandes – Trechos)

No dia 27 de março, há exatamente uma década, aos 88 anos, sumia no éter Millôr Fernandes (1923-2012), a meu ver a mente mais brilhante nascida no Brasil.

I – A PESSOA DO MILLÔR

Às vezes penso que seu cérebro, seus neurônios, suas conexões sinápticas e sua desoxirribonucleica web não se aquietaram nas cinzas: estariam se reconectando virtualmente aí por cima, em um algum software de inteligência artificial com impressora 5D.

Malgrado ser reconhecido por sua fulgurante inteligência; e de viver cercado de pessoas com esse atributo; sempre ressalvava que a mais elevada qualidade do ser humano é a bondade. Qualquer desavença poderia ser concertada: “Não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte.”

Falo e escrevo sobre o Millôr com um sentimento muito bom. Não apenas porque li seus livros, estudei suas traduções, assisti a suas peças teatrais e pesquiso sua história de vida e sua produção gráfica: mas sobretudo porque conversamos e rimos muito em mesas de bar, onde pude conhecer de perto sua disposição para ouvir, sua maneira singular de sentir e pensar, e o cuidado no trato com seus amigos e convidados.

Ele tinha um senso de observação excepcional. Mergulhava com profundidade nos assuntos para os quais era atraído. Só falava, escrevia ou desenhava acerca de temas sobre os quais detinha domínio. Tudo aguçava sua eclética curiosidade.

Era quase impossível desmenti-lo, apanhá-lo em contradição ou vencê-lo no argumento. Tinha um interesse incomum por detalhes os mais corriqueiros.

Um pequeno exemplo de sua curiosidade: quando veio a Fortaleza em 1972 (já faz 50 anos), queria saber por qual razão os nomes dos nossos bares e restaurantes eram sempre precedidos do artigo definido masculino. No Rio era simplesmente “Veloso”, “Antonio’s”, “Juca’s”. Mas aqui era “O Anísio”, “O Alfredo”, “O Cirandinha”, “O Sereia”, “O Bem”, “O Jairo”, “O Rebouças”… Isso aí já dava um cartoon.

II – O PROFISSIONAL E SUA PRODUÇÃO

É impressionante como alguém, no curto espaço de 70 anos de trabalho (começou cedo, aos 18), criando e operando sozinho (sem auxiliares), pode ter produzido tanto – em quantidade, variedade, versatilidade e qualidade.

Apenas para exemplificar, sua atividade teatral reúne mais de 80 trabalhos, entre textos originais, traduções e musicais. Livros? Mais de 120. Seu imenso acervo visual chega a mais de 7 mil peças gráficas e mais de 40 quadros de pintura, reunidos, preservados e administrados pelo Instituto Moreira Sales, São Paulo. Algo humanamente descomunal.

Suas múltiplas habilidades não cabem no rótulo de escritor (sem estilo), poeta (poesias, haikais), desenhista (sem borracha – cartoons, charges, caricaturas), artista gráfico, dramaturgo, roteirista, tradutor em várias línguas, jornalista – e paramos aqui para não incorrer em relato biográfico ou curricular.

Não concordava com o epíteto de humorista, porque não se aplicava em fazer gracinhas: o humor permeava e perpassava necessariamente todas as suas vocações, expressões e talentos artísticos. Era, antes de tudo, um livre-pensador, inigualável frasista.

Mas, qual é mesmo a importância do humor para nossa Cultura ? Em sua célebre peça “Liberdade, Liberdade”, Millôr responde com outras perguntas e arremata:

– “Você sabia que a liberdade de um povo se mede pela sua capacidade de rir?”
– “Vocês já repararam como em cada nota de mil a expressão do Cabral está mais preocupada?”
– “Isso não é nada. Dizem que na nova emissão da nota de cinco mil Tiradentes já vem com a corda no pescoço…”

Nessa peça (1965), a atriz Nara Leão canta ao violão uma composição de Baden Powell e Vinícius de Moraes, exorcizando o clima de apreensão e medo da época:

Tempo feliz (trecho)

“Feliz o tempo que passou, passou, / Tempo tão cheio de recordações, / Tantas canções ela deixou, deixou, / Trazendo paz a tantos corações. / Quantas canções havia pelo ar, / E a alegria de viver… / Mas meu bem, deixa estar / Tempo vai, tempo vem/ E, quando um dia esse tempo voltar, / Eu nem quero pensar o que vai ser, / ‘Té o sol raiar”.

Essa peça foi encenada em Fortaleza (1965/1966), no Theatro José de Alencar, sob a direção de B. de Paiva. Mais de um mês em cartaz. Integraram o elenco, dentre outros: Aderbal Freire Junior, Carlos Paiva e Lucinha Arruda – professora de violão, que interpretou Anne Frank, cantou “Summertime” e o Hino da Proclamação da República.

Millôr era um mestre do apotegma. Seus aforismos transmitiam com precisão, em poucas palavras, preciosos ensinamentos de natureza prática, filosófica e de sabedoria popular.

Mas, a arte em que ele era absolutamente insuperável era a de conversador (nada conservador). Ninguém papeava tanto e tão bem sobre tantas coisas quanto o Guru do Meyer. Um borbulhar de emendas espontâneas, surpreendentes, pertinentes e espirituosas.

Apesar da máxima segundo a qual ninguém é insubstituível, o fato é que não apareceu ninguém para o substituir. Nem a então poderosa Revista Veja nem o legendário Jornal do Brasil lograram conseguir-lhe um substituto, depois de sua desvinculação.

Millôr Fernandes atuou nos principais órgãos de imprensa do Brasil: Revista A Cigarra, Revista O Cruzeiro, Revista Veja, Revista Isto É; Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Pasquim, O Dia, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Correio Brasiliense; Diário Popular (Portugal); TV Itacolomi de Belo Horizonte e TV Tupi do Rio de Janeiro (apresentador).

Era defensor intransigente de remuneração profissional condigna e dos direitos trabalhistas. Em qualquer situação, tempo ou circunstância, sempre se posicionava em defesa da liberdade e ao lado dos mais frágeis. Logo nos primeiros anos de trabalho tornou-se “o maior salário da imprensa brasileira”.

III – MANIFESTAÇÕES EM 2022

É possível que haja alguma iniciativa para relembrar esse 10º ano de sua partida, notadamente no Rio, onde nasceu, viveu e pontificou o “Filósofo de Ipanema”.

É possível que haja manifestações de pessoas e amigos mais próximos – e portanto mais autorizados a sobre ele discorrer -, estudiosos e admiradores de sua produção, dentre os quais Cora Rónai, Ivan Fernandes, Chico Caruso, Jaguar, Ziraldo, Fernanda Montenegro, Luís Fernando Veríssimo, Jô Soares, jornalista Lula Gravatá (seu amigo e vizinho na Avenida Vieira Souto).

Daqui, do Nordeste, nós que tivemos a ensancha de com ele repartir tão bons momentos, estamos, ao longo deste ano de 2022, fazendo a nossa parte, por nossa própria iniciativa. Em nosso feed no Facebook e na página “Pedro Gurjão – Arte Cultura Comunicação e Humor”, vocês ainda vão ouvir falar muitas vezes em Millôr.

Na primeira semana deste ano, iniciamos a série semanal intitulada “#10 anos 100 MILLÔR#”. Fazem parte dessa sequência, dentre outras, as seguintes postagens:

– “10 anos 100 Millôr”
– “Eu sou a soma do quadrado dos catetos, mas (você) pode me chamar de hipotenusa”
– “O Millôr, o Mino e o Mouse”
– “O Hipopótamo, As Vitrines e o Inferno”
– “Um Elefante no Caos”
– O Pensador de Ipanema e a Boêmia
– “Computa, Computador, Computa”
– “A Fração Mais Ordinária e o Surubim no Abacate”
– “O Redentor e o Millôr: A Graça do Trocadilho”
– “Millôr e a Alma do Circo”

Afinal, trata-se de um justo tributo a alguém que, tendo enfrentado a orfandade e sérias dificuldades de sobrevivência ainda na infância e juventude, tornou-se um dos maiores – senão o maior – expoente(s) da Cultura brasileira.

Daí a vontade anímica de partilhar com os leitores um pouco dessa enriquecedora experiência interpessoal que a vida me oportunizou.

IV – MINHA HISTÓRIA COM O MILLÔR

Millôr e eu nos conhecemos em Setembro de 1972, quando um grupo cearense formado pelo cartunista Mino (Hermínio Castelo Branco); pelo arquiteto, programador visual e compositor Ricardo Bezerra; jornalistas Marcondes Viana e este articulista empreendeu em Fortaleza a “Feira Nacional da Comunicação” (Exposição de Artes Visuais, Publicidade, Música, Humor, Cultura e Criatividade).

Vieram participar do evento Millôr, Ziraldo e Jaguar – três estrelas do Pasquim, jornal/tabloide que, há meio século, alcançou a surpreendente tiragem de 200 mil exemplares.

Em um daqueles dias da Feira (que se estendeu de quinta a domingo), fomos a um banho de mar na Prainha. Millôr foi chegando e achou de sentar-se a meu lado. Eu havia assistido à peça “Liberdade, Liberdade” e costumava tocar ao violão a música “Positivismo”, do Noel Rosa, integrante do script, na qual o Poeta da Vila faz alusão à Revolução Francesa e à guilhotina. Então puxei conversa – e tome polka.

Lá pelas tantas, ele pediu papel e caneta ao garçom da barraca, me fez um desenho (que guardo afetuosamente), e pediu-me que, quando fosse ao Rio, o procurasse em seu estúdio, na Rua Gomes Carneiro 52, Ipanema.

Tinha a mesma idade do meu pai: ele aos 49 e eu aos 21 anos. Desde então nos encontramos inúmeras vezes, nos lugares tranquilos e de bom-gosto que ele costumava frequentar, no Rio de Janeiro. Tinha horror a barulho e rumor.

Na primeira vez, almoçamos o engenhoso “Surubim no Abacate”, no “Café de La Paix”.

Retornando ao Rio, jantamos no “Le Bec Fin”, em companhia do jornalista Lula Gravatá, presença muito agradável, seu amigo e vizinho de cobertura em Ipanema.

De outra feita, marcamos encontro em um bar/restaurante de cujo nome não me lembro. Só sei que era na Rua Duvivier ou em seu entorno, em Copacabana. Lá já o estavam esperando a jornalista Cora Rónai e o cartunista Chico Caruso.

A Cora, “a maior conhecedora de software”, falava das tecnologias digitais para a produção de textos e desenhos. Não poupou críticas aos excessos explicativos do livro do Milan Kundera – A Insustentável “chatura” do Ser (1984), que virou sucesso cinematográfico (1988).

Millôr voltou a Fortaleza, hospedando-se no Hotel Esplanada. Eu morava vizinho, quase parede-e-meia, no Edifício Pedro I, separados por uma pequena mureta.

Pois bem: do bar do hotel o Millôr me avistou, passei por cima desse baixo muro e tomamos uma cerveja estupidamente. De lá, saímos para pegar o Mino e fomos à Praia do Cumbuco.

Na praia, ele corria na direção Leste-Oeste, deixando-se fotografar: empurrado pelo Mino e por mim, resistiu, protestando: “estou sendo expulso para o Piauí”.

Voltamos a nos encontrar em um restaurante no Leblon. Na volta, deixou-me no apartamento da minha tia, onde eu estava hospedado, na Rua Barata Ribeiro defronte à Praça Cardeal Arcoverde. Despediu-se dizendo: já morei uma temporada nesse prédio. Então resmunguei: um dia ainda vou morar na Atlântica…

De outra feita, Millôr comentou comigo os versos do Chico em parceria com Augusto Boal (Mulheres de Atenas): “Quando eles se entopem de vinho/costumam buscar o carinho/de outras falenas”. As borboletas, melenas, heteras (hetaíras), amantes, cortesãs na Grécia Antiga…

Estivemos juntos outra vez no apartamento de uma amiga comum, brizolista, na Urca, onde almoçamos uma supimpa mariscada (homenagem ao visitante cearense).

Aqui em Fortaleza, na casa de um amigo que já partiu, apresentei-o ao médico Régis Jucá, outro bom conversador. O papo fluiu bem. A pedido do anfitrião, toquei um pouco de violão para o pequeno grupo.

Millôr pediu-me uma música das antigas e eu me lembrei da “Última Estrofe”, gravada pelo Orlando Silva, melodia que, nesse trecho, reclama uma harmonia de bossa-nova:

“Lua, hoje eu vivo tão sozinho, / ao relento, sem carinho, /
na esperança mais atroz, /de que cantando em noite linda, /
essa ingrata volte ainda / a escutar a minha voz.”

Admirou-se de eu conhecer uma música com a qual ele fora embalado quando criança.

Então cantarolei aqueles que considero os mais belos versos da música brasileira: “Pensando que te abraçava, alucinado apertava, eu mesmo, meu coração” (Arranha-Céu); e “Tu pisavas nos astros distraída” (Chão de Estrelas), ambos do Orestes Barbosa, sem fazer a menor ideia de que o Millôr era amigo do compositor, com quem encontrava frequentemente.

Depois de umas doses num bar na Lagoa Rodrigo de Freitas, foi me deixar no “Clube da Bossa Nova”. Quis saber do que se tratava (era fã do gênero musical, amigo da Nara, do Vinícius). Expliquei que não era nada institucional, mas simplesmente um grupo de amigos de outras cidades que, de vez em quando, se encontrava para tocar violão e cantar no apartamento da Julinha Holanda (chefe do “escritório” de Quixadá no Rio) e seu marido Luisinho Souhami (médico em Montreal).

O pianista Arthur Moreira Lima veio fazer uma apresentação no Teatro José de Alencar, com texto do Millôr – e fui incumbido de fazer a apresentação do pianista e do espetáculo. Para Arthur, expert em Chopin, “Asa Branca” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) é a polonaise brasileira. Arranjo e improviso belíssimos. De lá saímos pra tomar outras – e só deu Millôr na conversa.

Em outra oportunidade, ofereci-lhe um jantar em minha casa aqui em Fortaleza, ao qual estiveram presentes o cartunista Mino e os jornalistas Augusto César Benevides e Neno Cavalcante. Neno pediu-lhe uma sugestão para o nome da coluna que iria assinar no Diário do Nordeste. Millôr respondeu-lhe com o título de outra de suas peças: “É…”. E assim foi batizada a cáustica e apreciada coluna do jovem e saudoso colunista no DN.

Sua delicadeza de espírito contrastava com a acidez de sua atitude crítica diante da realidade social: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos & molhados” (MF).

Millôr era declaradamente cético, agnóstico. Ele já havia concluído sua tradução do Hamlet – a mais longa tragédia shakespeariana, onde se ouve a famosa frase: “Há muito mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha tua filosofia”. Fiz-lhe então uma provocação: Millôr, e as “coisas do céu e da terra” ?
Como quem estava adivinhando aonde eu queria chegar, respondeu-me bem-humorado com duas frases certeiras, não sei se até então inéditas ou se já antes publicadas:

– “Não esqueça que o humor começou com a Graça de Deus”.
– “Eu tenho cá minhas relações particulares com Deus”.

Resgatando o sentido próprio de um adjetivo atualmente muito vulgarizado e desgastado: Millôr era, na plenitude intrínseca da palavra, um gênio! Um ícone imortal do humor brasileiro.

V – EPÍLOGO

Como terminar esta breve crônica? Com palavras do próprio Millôr, em sua peça “Liberdade, Liberdade”:

“Mas eu não sei… está tudo tão mudado.
Você não acha?
É tão difícil a gente saber o que tem de fazer quando o mundo inteiro está caindo aos pedaços…
ninguém sabe como será o dia de amanhã…”

Ilustrações:

1 – Retrato de Millôr Fernandes – Desenho digital de Pedro Gurjão ©, recriando a foto de Cynthia Brito (foto sem restrição de uso)
2 – Cartaz de Pedro Gurjão © alusivo à data.

VI – NOTAS E REFERÊNCIAS

1 – Liberdade, Liberdade” – Peça teatral de Millôr Fernandes e Flávio Rangel. Estreou em 21 de abril (Dia de Tiradentes) de 1965, no Rio de Janeiro. Produção do Grupo Opinião e do Teatro de Arena de São Paulo. Atores: Paulo Autran, Nara Leão, Oduvaldo Vianna Filho e Tereza Rachel. http://joinville.ifsc.edu.br/~luciana.cesconetto/Textos%20teatrais/LIBERDADE,%20LIBERDADE%20-%20Fl%C3%A1vio%20Rangel%20e%20Mill%C3%B4r%20Fernandes.pdf

2 – Hino da Proclamação da República (Leopoldo Miguez e Medeiros e Albuquerque) – “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.
3 – Noel Rosa – Positivismo. “A verdade, meu amor, mora num poço… / É Pilatos lá na Bíblia quem nos diz; / E também faleceu por ter pescoço / O infeliz autor da guilhotina de Paris”. Gravação de João Nogueira:

4 – Sobre a “vã” filosofia:

4.1 – Frase original: “There are more things in heaven and hearth, Horatio, then are dreamt of in your philosophy “. Mas começaram a aparecer, em diversas traduções para o Português, as palavras “entre” (no lugar de ‘em’) e o adjetivo “vã” (inútil) filosofia, inexistentes no original.

4.2 – Esses erros foram corrigidos pelo Millôr: “Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia”.

4.3 – O escritor Osvaldo U. Lopes afirma que o primeiro a usar a expressão “vã filosofia” foi o português Almeida Garrett. Apadrinhado, no Brasil, por Machado de Assis, que a utilizou e parafraseou em vários escritos.
http://oficinadetextosescreviver.blogspot.com/2015/05/a-va-filosofia-oswaldo-lopes.html

5 – “Além de ir pro inferno só tenho medo de uma coisa: juros.”

Millôr, atual e fundamental

Pedro Gurjao

Escritor, Jornalista, Advogado, Pós-graduado em Gestão Pública (Fundação João Pinheiro, BH-MG), 2 vezes vencedor do Prêmio Nacional Ser Humano (ABRH, SP). Foi colunista e debatedor no Programa de Debates (Jornal O Povo e Rádio AM do Povo).

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