Tráfico de pessoas, terceira atividade criminosa mais lucrativa, aumenta com vulnerabilidade social e favorece aliciamento de escravos para trabalho e sexo

O tráfico de pessoas está entre as três atividades criminosas mais lucrativas do mundo, perdendo apenas para armas e drogas. Especialistas que participaram de audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara nesta quarta-feira (30) foram unânimes em concordar que a vulnerabilidade social facilita esse aliciamento que tanto pode ser para trabalho escravo como para fins sexuais.

Para o diretor da ONG SOS Dignidade, que trabalha com travestis e transexuais, Barry Wolfe, um dos problemas do tráfico de pessoas é que muitas vezes a vítima nem se reconhece como tal, porque aceitou trabalhar com sexo em busca de uma vida melhor.

Rosa Maria Santos, coordenadora do Projeto Vez e Voz, que trabalha com oficinas sobre o tráfico de pessoas em escolas no Distrito Federal e em Águas Lindas de Goiás, destacou que somente a prevenção é eficaz para evitar que crianças e adolescentes sejam seduzidos por promessas de uma vida melhor.

Segundo Rosa Maria a informação muitas vezes é suficiente para evitar um mal maior. “Em 2015, tivemos em Águas Lindas a visita de uma sul-africana que estava procurando meninos e meninas para levar para a África do Sul, para Joanesburgo, para jogar futebol e ser modelo. E uma das meninas que tinha participado do projeto me procurou e nós fomos denunciar e, graças a Deus, conseguimos salvá-las”, relatou.
Já a jornalista e ativista no combate ao tráfico de pessoas, Priscila Siqueira, alertou que o Brasil vive um retrocesso nesse enfrentamento com desmonte de estrutura e corte de verbas.

Na avaliação dela, o governo atual está completamente ausente dessa luta. “Enquanto no papel está tudo bonito, na realidade, quanto mais pobre a população, maiores as consequências do tráfico de pessoas. O tráfico quanto mais pobreza você tem, mais oferta você vai ter”, avalia.

A deputada Ana Perugini (PT-SP) destacou a importância da reunião para o fortalecimento da rede entre os agentes que militam no combate ao tráfico de pessoas que é considerado pela ONU como o crime mais sério contra os seres humanos.

Para ela, o tráfico de pessoas acaba tirando a condição de seres humanos daquele que é traficado. “Por isso tem que ser combatido com todas as nossas forças, com toda nossa resistência dar continuidade, mesmo nesse momento onde há uma crise econômica financeira e mundial e que houve um aumento no tráfico de pessoas no Brasil”.

Segundo dados da ONU, em 2016, o tráfico de pessoas movimentou 32 bilhões de dólares em todo o mundo.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Rachel Librelon

Câmara Notícias – Agencia
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