Uma visão sobre as ‘jornadas de 2013’

Ainda não estou certo do que houve em 2013. Tendo a aceitar que pautas difusas, movimentos “apolíticos” e a adoção dos manifestantes pela mídia oligárquica como “virtuosos” (até os black blocs, pelo menos) não são indicadores do caráter “popular” de 2013. Vejo as jornadas de junho como um grande experimento social, aos moldes das Revoluções Coloridas pelo mundo, em que se utilizou mídia, redes sociais e muito dinheiro para desestabilizar governos. Neste engodo, parte da esquerda caiu e até hoje se recusa a perceber. Historicamente, por mais que me doa dizer isto, as ruas no Brasil pouco ou nada significam. A ditadura de 64-85 não acabou por pressão das ruas. As “diretas já” não aconteceram. A constituição de 88 foi feita majoritariamente pela classe média e elite. Collor não foi retirado pelas “ruas”. FHC não sofreu impeachment, mesmo com toda a pressão econômica sobre a população. Dilma não foi “retirada pelas ruas”. Os movimentos sociais no Brasil são fracos, não encontram respaldo na sociedade civil e não conseguem romper a barreira do imobilismo (e sempre existe a ameaça do coturno). Aliás, se cada movimento social, que exige mudança no Brasil, elegesse um ou dois parlamentares em nível federal, não seria necessário Lula. Carecemos de cultura política e concordo que o PT não foi virtuoso neste ponto.

Trecho de artigo de Fernando Horta, sob título ‘o mesmo, o mais e o nada’, em polêmica com Luis Felipe Miguel

Graduação em história pela UFRGS e mestrado em Relações Internacionais pela UnB. Atualmente é doutorando da UnB. Tem experiência na área de História, com ênfase em História da Ciência, Epistemologia e Teoria de História e de Relações Internacionais.

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