Uma visão da política e a influência da família, por Leandro Costa

Eleições são de dois em dois anos. Sempre espero ansioso por elas, como também, sempre fui um cara político e devo isso a meus pais, que sempre me incluíram e respondiam prontamente e pacientemente todas as minhas dúvidas. Lembro-me de acompanhar as eleições do Collor de Mello e Lula da Silva, literalmente, vesti a camisa do Collor e fui comemorar nas ruas a vitória da democracia. Ali, foi meu primeiro contato com a política.
Hoje, tenho um pouco mais de três décadas, já me motivei e me decepcionei diversas vezes, muitas também foram às vezes em que mudei de ideia, fui de direita, fui de esquerda voltei a ser de direita. Eu não tinha apego a nenhum partido e nem nenhum político. Agora, com uma cabeça adulta, vejo com ideologia a minha preferência por um partido, que prefiro aqui não revelar, mas vai muito além do meu ego, muito além de um simples pensamento moldado por pitadas de absolutismo.
Certa vez, meu avô me falou: “Meu filho, politica, religião e futebol não podemos discutir, cada um tem seu ponto referencial”. Sábias palavras de um senhor de tão pouco estudo, mas tão cheio de conhecimento da vida. Hoje me vejo um completo idiota, que discute política pela internet com o amigo do amigo do meu amigo e, que aplica palavras que soam como pedras ou facas, atacando a tudo e a todos. Resultado? Perdi o amigo, o amigo do amigo e o amigo do amigo do amigo.
É amigo! Política não foi sistematizada pra muitos, por isso, não é, estrategicamente falando, de fácil entendimento. Já pensou se fosse? O país teria um povo usufruindo de uma educação de qualidade. E onde ficaria o corrupto? Sofrendo, suando e ralando pra ganhar o seu como todo mundo? Não, não é isso que o poder legislativo quer né? O sistema gosta é assim: O povo sabe que tem que cobrar, mas não sabe como. Basta ver Junho de 2013. A insatisfação, atada ao desejo de mudança, fez com que em cada uma das grandes cidades do nosso Brasil, milhares de pessoas empunhavam cartazes e, ao mesmo tempo, reivindicava melhorias nas áreas de educação, saúde e segurança. Em seus rostos a expressão de indignação, e em suas bocas um berro unânime de fúria que por tantos anos esperava ser posto pra fora, como um vulcão, que expile pra fora a sua larva e devasta o que estiver pela frente.
Com o grito da multidão: “O gigante acordou, o gigante acordou…”. Até os mais pessimistas dos brasileiros imaginavam a possibilidade de um futuro melhor para o Brasil, com mais justiça e liberdade.
Uma pena. O gigante só bocejou. Foram só alguns dias em que brasileiros, como abelhas, faziam enxame, com gritos que zoavam como uma piada que de tanta carência faltava o riso. Mas, acontece que não fomos educados à reivindicar, com conteúdo ideológico, o quanto as abelhas produzem um bom mel. Dias depois às manifestações, tudo voltava ao normal. O dinheiro dos nossos direitos sumindo e pessoas enriquecendo de um dia pro outro, como se ganhar dinheiro fosse o principal objetivo. O cenário antirrepublicano permanece disfarçado de republicano. Só os astuciosos cheios de ambição sabem disso e não têm a mínima vontade, nem piedade de compartilhar a cereja do bolo com os que ralam por um país melhor, mas também precisam da luz. Pra quê? Né?
Discute-se muito política, mas é só discussão. Porque atitude política é o que não se vê: O motorista ainda passa sobre faixa de pedestre a mais de 60 km/h e o pedestre com o pé na faixa, o lixo ainda é jogado em rua em via pública, por esse mesmo povo que discute política. O outro se sente no direito de urinar no pé de algum monumento, afinal, é público. A pirataria é quem manda, alguns donos de pequenas gravadoras acham melhor assim. E o fiscal. Eita! Alguns ainda são pagos por fora. O cidadão candidato ainda designa cargos a irmãos, primos, tio, tia, cachorro, papagaio, e sem eles terem a menor competência para tais cargos. E o eleitor, só discute a politicagem, achando ele que é política de verdade, e os seus direitos?
O meu avô não escrevia e nem tão pouco discutia política. Ele sempre achou isso uma perda de tempo. Mas ideologicamente ele me dizia muita coisa, mas por eu ser tão jovem, eu acho, não conseguia me falar pra não me envolver tão cedo. Hoje, com o passar dos anos, lendo muito e ouvindo muito, posso assegurar que política não se discute, mas é preciso ser declamada com sabedoria. E talvez seja por isso que o meu Brasil é de tão poucos. Que bom, eu acredito fazer parte dessa minoria.
Eu, ainda hoje, não me considero um expert quando o assunto é política, isso é fato, mas eu me sinto no dever de escrever sobre o pouco que o meu avô me ensinou. Posso não transformar uma nação, mas talvez eu consiga colaborar para que no daqui há dez, vinte ou trinta anos o nosso povo não se contente só com um país do futebol e do carnaval.

(Texto originalmente escrito em 05.dezembro.2014, só agora tornado público)

Leandro Costa

Leandro Costa

publicitário por formação, empreendedor por teimosia.

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2 comentários

  1. BRUNO DE MELO BELLEZZA

    Meu amigo Leandro, muitas de suas palavras, faço as minhas.
    Como para mim o foco é não discutir, prefiro seguir com minhas convicções, ideais para continuarmos construindo um país melhor.

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