Temer e a política como convicção, por Gilvan Mendes

Uma das justificativas usadas  para afastar Dilma Rousseff da presidência ,  e em seu lugar ficar Temer e seus aliados , seria que o peemedebista iria retomar os rumos da economia , trazendo o emprego de volta e fazendo reformas positivas e duradouras que fariam com que o Brasil saísse da crisepolítica econômica. Além disso , o novo governo não seria envolvido com corrupção e ilegalidades como o anterior , dessa forma as coisas entrariamno rumo certo. Essa retórica triunfalista não durou muito , o presidente e outros membros do seu partido foram citados nas delações e comprovadamenteparticiparam da roubalheira , as reformas  trabalhista e previdenciária sofrem até hoje com a rejeição da maioria da população, o número de desempregados continua grande , e a economia só ”melhora’‘  nas planilhas dos ministros. 

Max Weber define que a ética pode ser subordinada a duas máximas inteiramente diversas , a ética da responsabilidade que reza que o todos devem responder pelas consequências de seus atos , e a ética da convicção que preza mais  pelo ardor do protesto , do que pela racionalidade. A política se configura entre aqueles apaixonados que defendem suas causas e os pragmáticos que pensam no futuro antes de qualquer outra coisa , mas também entreaqueles que possuem ideias claras  e os oportunistas. Como o próprio Weber alerta , a política se faz com o cérebro ,  mas sem dúvida não com ele. Um governo democrático  para ser aceito precisa deixar claro suas propostas e objetivos.  

Não é por nada que duas  filosofias políticas do século XX fizeram tanto barulho. Uma delas,  o neoliberalismo , agitou o mundo a partir dos anos 80 com sua ênfase na redução do papel do Estado e a crença nos mecanismos de mercado agindo livremente sem restrições. A social-democracia por outrolado , aposta suas fichas na redução das desigualdades e na construção  de um Estado de bem-estar social. Visões e propostas absolutamente diferentes ,mas que , sem dúvida ,  ostentam  convicção e paixão.   

Alguns críticos desde o início da nova administração  ,  apontaram uma linha liberal seguida pelo governo Temer. O teto de gastos e os cortes sociais seriam a prova dessa sentença , além da reforma trabalhista. Não que este diagnóstico esteja errado , porém , Temer com a recente lei do aumento dos impostos sobre os combustíveis conseguiu desagradar até mesmo os grandes proprietários. A cartilha do liberalismo econômico ,  diz não aos impostos.Entretanto,  Temer não dá bola para ideias claras , prefere o oportunismo

É por essas e outras que seu mandato é aprovado por apenas 5% da população , segundo a recente pesquisa feita pelo IBOPE. Seu governo não sinaliza para uma evolução. E o pior é que ainda teremos uma longa e sombria caminhada  pela frente.  

Gilvan Mendes Ferreira

Gilvan Mendes Ferreira

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará.Com interesse nas áreas de Teoria Política , Democracia e Partidos Políticos.

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