SUSPEITOS DO ASSASSINATO DA VEREADORA MARIELLE FRANCO, por Eduardo Fontenele

Na tarde de quarta-feira (30/5), foi preso um homem suspeito de estar ligado ao assassinato da vereadora Marielle Francisco da Silva, ou Marielle Franco, do PSOL. O nome do suspeito é Thiago Bruno Mendonça, de 33 anos, também conhecido por Thiago Macaco. Marielle foi morta em março enquanto saía de um evento na Lapa, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio de Janeiro, com três tiros na cabeça e um no pescoço. Morreu também o motorista do carro que a levava, chamado Anderson Pedro Mathias Gomes, com três tiros nas costas. A assessora da vereadora também estava no carro, ela se feriu com estilhaços de bala, mas sobreviveu.

O suspeito possui outras acusações contra ele, além da morte da vereadora, ele é acusado de matar Carlos Alexandre Pereira, de 37 anos, vulgarmente conhecido por Alexandre Cabeça, em 8 de abril. Alexandre Cabeça era colaborador do vereador Marcello Siciliano (PHS), suspeito de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle. Siciliano nega todas as acusações. Segundo diz um delator, que não teve a identidade divulgada, a morte de Cabeça teria sido uma queima de arquivo.

Siciliano foi acusado pela testemunha de estar envolvido na execução de Marielle e Anderson. O outro suspeito de ser mandante da morte da vereadora é o miliciano e ex-Policial Militar Orlando Oliveira de Araújo. A testemunha afirma ter presenciado pelo menos quatro conversas entre Siciliano e Orlando, em que eles diziam que Marielle os estava atrapalhando e a chamavam de “piranha do (Marcelo) Freixo”. E que precisavam “resolver isso logo”. Freixo e Marielle tinham uma atuação de destaque na luta pelos direitos humanos nas comunidades do Rio. Franco foi assessora de Freixo durante a CPI das milícias, na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). Freixo é atualmente deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PSOL.

O motivo da desavença entre ela e Siciliano seria a expansão das ações comunitárias de Marielle na região de atuação de Siciliano e a crescente influência da vereadora em áreas de interesse das milícias, na Zona Oeste do Rio. Um dos motivos da contenda, segundo o jornal O Globo, está ligado às comunidades de Jacarepaguá. O miliciano e ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, atualmente preso em Bangu 9, seria “dono” da comunidade Vila Sapê, em Curicica, que possui uma disputa com os traficantes da Cidade de Deus. A vereadora comprou briga com os dois mandantes do crime ao apoiar os moradores da Cidade de Deus. Ela peitava os dois. Curiosamente, Siciliano se diz amigo de Marielle, mas ela não está mais aqui para confirmar ou negar a declaração.

Ela e o miliciano passaram a travar uma briga por meio das associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. O vereador Siciliano possui seu reduto eleitoral em Jacarepaguá, que abrange o Anil, a Cidade de Deus, a Gardênia Azul e o Rio das Pedras. Ainda segundo o jornal, a testemunha procurou a polícia por que está jurada de morte. O delator teria sido ameaçado pelo ex-PM.

De acordo com o delator, Orlando mandou que seus homens de confiança providenciassem a clonagem de um veículo Cobalt prata, que depois foi visto circulando próximo da comunidade da Merk, na Zona Oeste, região controlada pelo ex-PM. Thiago Macaco foi encarregado de fazer um levantamento da rotina da vereadora. Após seguir o carro da vereadora por 4 km, o Cobalt emparelhou com o veículo de Marielle e disparou cerca de nove tiros. A testemunha da execução da vereadora também forneceu quatro nomes de envolvidos na execução de Franco.

O Caso Marielle finalmente de aproxima de uma conclusão, de um esclarecimento, já que seus supostos mandantes foram identificados, assim como os executores do crime. Agora é aguardar pelo desenrolar dos fatos e torcer para que os assassinos sejam finalmente presos e paguem pela dor que causaram aos familiares das vítimas, Mariellle e Anderson, e pela comoção provocada na população, devido à grande repercussão midiática, pois foi um caso que seguramente entrou para a história do Brasil, e uniu a política e a crônica policial.

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele formou-se em jornalismo pela Devry Fanor em 2016, publicou o livro de contos Abstrações em 2017 e é administrador dos blogs Drops de Filmes e Pensando desde 1978.

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