A sinuca de bico

Trecho de artigo de Gustavo Conde

“…Lula chegou até aqui. Há um esgotamento compreensível da narrativa. Ninguém aguenta mais. Querem logo o desfecho. O problema, parceiro, é que o desfecho não existe. Preso, solto, candidato ou não, a história e o sentido de Lula continuam. Não há como interrompê-los. É isso que Sergio Moro e Cia não entenderam.

Muitas pessoas se auto flagelam com ideia de ver Lula preso nos próximos dias. Há muita energia acumulada e tensionada no ar. Claro que ficamos apreensivos, somos, afinal, humanos. Mas a luta política nesse nível épico – e golpista – do Brasil inclui esse pacote degradante, sempre incluiu.

A sinuca de bico da história

Eu venho falando há algum tempo: Lula aplicou uma sinuca de bico nos seus perseguidores, uma sinuca que nem é só mérito dele: é uma sinuca conjuntural. Pensemos: se Lula estivesse amargando rejeição popular, talvez nem se quisesse mais sua prisão.

Mas Lula bomba na preferência do eleitor. Esse é um de seus crimes: ele fica mais forte à medida em que o atacam e perseguem.

O pulo do gato desta situação esdrúxula é que a retirada de Lula da cena política via prisão é furiosamente fadada ao fracasso. A imprensa brasileira agoniza em falta de credibilidade. Lula preso arrastaria todo um processo de indignação que levaria a reboque imprensa, TV Globo e partidos políticos….”

Gustavo Conde é músico, linguista e professor. Lida com teorias do humor e com os processos de produção do sentido político. É autor do Blog do Conde, espaço de discussão de temas políticos, acadêmicos e literários

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