Será o caos origem da luz? por Rui Martinho

A pós-modernidade abalou todas as referências. Nada resistiu ao relativismo sob a camuflagem de perspectiva ou relação. A hegemonia do pensamento para o qual a história se resolve pelo conflito, ao invés da negociação e da solução de problemas proporcionadas pela razão, trouxeram o caos. Figuras supostamente respeitáveis atacam despudoramente a distinção entre o bem e o mal ou entre verdade e erro.

Professores, pais, autoridades passaram a ser vistos com opressores. Surgiu então a contestação aos “novos gestores da moral”. Escolas, universidades, imprensa e indústria cultural foram aparelhadas pelos mistagogos, esgrimindo o pensamento liberticida, sob disfarce libertário. Agora surge uma resistência inédita da sociedade. A imposição de uma moral oficial, com o uso de uma censura violentamente nas instituições de ensino e na sociedade em geral, despertou a maioria silenciosa. Estudantes e pais reagiram, embora ainda absorvam programas de televisão, levados ao ar por emissoras detratadas pelos “novos gestores da moral”, sem perceber que o vírus do caos está presente nos citados programas.

O exercício do poder desmascarou os fariseus que se apresentavam como arautos da libertação, abalando lideranças personalistas, partidos e doutrinas. A corrupção é algo que os leigos em face da complexidade dos problemas políticos e sociais entendem. A superioridade moral e intelectual dos “reis filósofos” foi desmascarada, aparecendo o “ópio dos intelectuais” de que falava Raymond Aron. Daí o ódio dos “esclarecidos” contra o “moralismo” que eles mesmos pregaram durante tantos anos. O fracasso econômico dos “reis filósofos” também contribuiu para abalar a poderosa hegemonia ideológica. O descrédito dos “reis filósofos” do nosso tempo veio depois que elas se viram forçados a buscar a eficiência dos mercados, com tudo o que condenavam, sob pena de não sobreviver. A imposição da “nova moral” oficializada, invertendo valores tradicionais, ruborizou até o Macunaíma, que reagiu.

Será o caos a origem da luz? O amadorismo e o despreparo da maioria silenciosa é terreno fértil para erros grosseiros. Donald Trump é exemplo disso.

Rui Martinho

Rui Martinho

Doutor em História, mestre em Sociologia, professor e advogado.

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