A retomada do crescimento econômico não depende só dos juros, por Haroldo Araújo

Para alcançar a estabilidade econômica precisamos obter a estabilidade financeira. Decerto que ainda estamos construindo o sonhado controle inflacionário. O objetivo é poder oferecer ao povo as melhores condições de vida. Uma nação como o Brasil dispõe em quantidade de terras agricultáveis e clima também favorável. Um país estruturado para alavancar recursos através de suas mais acreditadas estruturas de produção e financiamento através de um SFN (Sistema Financeiro Nacional) forte e bem regulamentado.

André Lara Resende foi diretor do Banco Central e participou de vários programas de planos econômicos no Brasil com vistas a essa sonhada estabilidade. PHD em Economia pelo M.I.T. e que conhece muito bem a situação enfrentada pelo Brasil. O economista é destaque de um seleto grupo que tem participado da cúpula de governos engajados no combate à inflação e voltado para a retomada do crescimento econômico. Ele discorre sobre as dificuldades enfrentadas pelo bancos centrais em utilizar a Política Monetária para controle inflacionário.

O brilhante economista faz duras críticas à utilização dos juros elevados com esse fim. Ninguém pode negar que a taxa de juros têm forte influência na “Demanda Agregada” e no “Aquecimento da Economia”. Sabemos que a taxa de juros tem forte influência, ou seja, atinge a todos por igual, mas, segundo o economista, a manutenção de elevadas taxas de juros por muito tempo é alimentadora da inflação. Resende aborda a teoria econômica acerca da Teoria Quantitativa da Moeda (TQM)!

A quantidade de moeda é que determina os preços. Observe-se que a crise de 2008 foi didática, e assim sendo verificou-se que todos os modelos macroeconômicos que adotam a TQM estão equivocados. O Federal Reserve (FED) aumentou a Base Monetária umas 60 vezes e os países que assim procederam continuaram com inflação baixa. O professor André Lara apresenta trabalho matemático onde mostra que: “ É possível que a alta dos juros, no curto prazo reduza, mas no longo prazo aumente a inflação”.

Segundo o estudioso da Universidade de Harvard: “A única hipótese capaz de explicar a tradicional relação inversa entre o juro e a inflação, no curto prazo, é a chamada Teoria Fiscal do Nível de Preços (TFNP). O trabalho conclui: “O que ancora as expectativas e determina a taxa de inflação é a política fiscal”. Alguém tem alguma dúvida sobre ser essa a razão de nossa inflação teimosa.

O quê mesmo? Ora, ora: a irresponsabilidade fiscal. Observe-se que tem no meio político uma leva de parlamentares pouco responsáveis e incapazes de compreender que em Economia tudo se dá no campo das expectativas. Vejam que a simples aprovação do Teto de Gastos já mudou o cenário. Não haverá crescimento sem estabilidade, principalmente a estabilidade financeira para que possamos sonhar com a estabilidade econômica. Acordem senhores parlamentares!

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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