Quem esse sujeito pensa que é? por Capablanca

Quem esse sujeito pensa que é?

Por que ele não se dobra e se submete? Por que ele insiste em declarar a sua inocência, mesmo com o processo andando como anda e tendo já vencido as etapas que venceu? Não basta a onda de opinião pública que pede a sua prisão como forma de pacificar o país, do mesmo modo que pediu a sua condenação como forma de por um ponto final na corrupção desbragada?

Quem esse sujeito pensa que é?

Não lhe basta passar tudo o que já passou, ele e todos os seus familiares – perdeu a mulher e os filhos estão socialmente estigmatizados? Não basta ver alguns de seus mais próximos companheiros de partido e de governo vendo o sol nascer quadrado há meses, alguns, há anos, outros? Não lhe bastou ter sua vida toda exposta pelo avesso em horário nobre nos noticiários campeões de audiência? Será que quinze horas de noticiário negativo só na campeã de audiência não são suficientes para destruí-lo?

Quem esse sujeito pensa que é?

Será que ele não é feito de carne, osso e sangue e toda essa caçada não lhe faz subir a pressão psicológica e perder o equilíbrio? Não teme ele por sua saúde física e mental? Será que não perdeu todos os amigos – quem não se afastaria de alguém tão grave e profundamente acusado e perseguido?

Quem esse sujeito pensa que é?

Esse sujeito é Lula, o único político que anda no meio do povão e é por ele abraçado como um igual.

O retirante nordestino que sobreviveu e venceu de teimoso, cheio de defeitos, limitações e fragilidades de todo tipo, tudo isso compensado por um “não sei o que”. O torneiro mecânico que se tornou liderança sindical e enfrentou a ditadura e as baionetas, e entrou e saiu inteiro da prisão, decretada com base na “lei de segurança nacional”. O candidato a presidente que soube perder três vezes seguidas. O presidente que não quis mudar a regra do jogo para ter um mandato a mais. O cara que resistiu a mil e uma denúncias e perseguições e preconceitos da imprensa tradicional e manteve-lhes os bilhões em verbas de propaganda oficial. O acusado contra quem moveram-se todos os recursos e todos os delatores e nenhuma prova (áudio, mala, vídeo, grampo, extrato bancário, conta na Suíça, apartamento no exterior, conta em paraísos fiscais…) foi achada. O sujeito que não reage ao ódio da classe média (o problema do ódio é dela, não é dele), que não desacredita na justiça, que não desiste do Brasil.

Lula já foi suficientemente testado na adversidade e no exercício do poder, já foi duramente e profundamente investigado pelo aparato policial e judicial, não precisa provar mais nada a ninguém de bom senso (não há o que fazer ou o que dizer aos fanáticos).

Lula não precisa ser santo, mártir ou herói, afinal, ninguém se faz herói, santo ou mártir. Essas figuras são construídas pela violência e pela injustiça de terceiros poderosos, sempre.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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