Precisamos falar de QSP… Parte 16 e final – por Osvaldo Euclides

Qual dos três profissionais a seguir é o mais importante na construção e na manutenção de uma sociedade equilibrada: o policial, o professor ou o médico?

Quem respondeu o professor acertou. Qualquer cidadão é capaz de entender e aceitar a dimensão especial que ocupa a educação na vida em comum. O professor é a figura central da sociedade, ele conduz a formação de todos os outros. O professor comanda na sala de aula a mais importante experiência de igualdade, uma das poucas, aliás. Talvez a única num mundo em que a desigualdade só avança. Depois da família, o professor tende a ser a maior influência social. O professor, não raro, faz o papel de amigo, discreto e distante, quando não substitui (por força de triste circunstância) a família. Na escola se constrói o futuro de uma pessoa e de uma nação – nada se constrói sem educação. Ninguém cresce, senão a partir da educação.

Quem respondeu o policial acertou. As sociedades só existem porque há regras. E essas regras precisam ser respeitadas. Se essas regras são rompidas ou negligenciadas, as pessoas sofrem. Se isso acontecer continuadamente, a sociedade começa a desmontar-se, entra em vigor a lei do mais forte e depois disso não há mais regras, nem limites. O tecido social se destrói, a coesão social desaparece, a violência se espalha, se generaliza. O policial vigia o cumprimento das regras, um trabalho tão difícil, quanto delicado. O policial chega a colocar sua vida em risco a cada instante do seu trabalho.

Quem respondeu o médico acertou. A saúde é o mais precioso bem que qualquer ser humano pode possuir. Dela é preciso cuidar todo dia, todo instante, em cada gesto, em cada escolha. O médico é o recurso direto e eficaz para evitar que os pequenos problemas de saúde se tornem grandes e graves. Ou o último recurso quando o problema já é grande e grave. A medicina nos mantém saudáveis, vivos e nos trilhos da qualidade de vida com a prevenção, com a orientação, com a consulta, com o exame, com o remédio, com a cirurgia ou com as ações de emergência.

E se surgisse a pergunta sobre os profissionais mais representativos de cada um dos três poderes, quem seria o mais importante: o juiz, o parlamentar ou o governante?

Quem respondeu o juiz acertou. O magistrado, dele se espera que seja uma pessoa superior. Dele, e talvez só dele, se pode pedir, esperar e cobrar grandeza. Pois a ele cabe a delicadíssima missão de julgar os seus iguais, por mais desiguais que possam ser. A função social de interpretar a lei e estabelecer quem deve ganhar ou perder, quem deve ser perdoado ou punido, sempre com o objetivo de manter ou restabelecer a paz social, talvez seja, em nobreza, a maior de todas. É assim desde Salomão, e de qualquer juiz só se pode esperar e cobrar que ele seja igual ou mais justo que o lado mais positivo de Salomão.

Quem respondeu o parlamentar acertou. O ser humano, o cidadão em si, já é portador de enorme significado e dimensão. Pense, então, em um cidadão que mereceu a confiança e recebeu a delegação de milhares de outros para representá-los, para defender seus interesses legítimos e para conciliar esses interesses individuais com os interesses gerais do país. Esta é a função nobilíssima do político membro do Parlamento. Ele despe-se dos seus interesses pessoais e pensa exclusivamente nos seus representados e na sua terra. E faz leis. E faz orçamento. E fiscaliza o exercício do poder e trânsito do dinheiro público.

Quem respondeu o governante acertou. Presidente, Governador ou Prefeito. Mercê de seu carisma, fruto de seu discurso, legitimado por suas promessas e propostas, ele venceu uma corrida eleitoral dificílima e ganhou a confiança de pelo menos a metade mais um dos seus conterrâneos. Não é uma luta fácil, não é uma vitória banal. Com este cacife popular, vai administrar uma gigantesca montanha de dinheiro e vai arbitrar um turbilhão de interesses de pessoas, empresas e grupos de todo tipo. É um desafio monumental não deixar que o poder o cegue e o confunda, e faça com que ele confunda tudo. A cada dez reais de dinheiro público, o governante administra nove e meio. Exige grandeza manter-se íntegro e agir no interesse da maioria.

A vida pública e o serviço público são o traço de união entre as duas perguntas e entre todas as respostas. A qualidade do serviço público é o cimento que mantém a coesão social, única e invisível força capaz de unir todos os cidadãos, respeitando toda diferença possível e conciliando o interesse de todos e de cada um. O compromisso do servidor público, seja ele médico, professor, policial, governante, parlamentar ou juiz, com essa qualidade é, entre muitos fatores, uma garantia de que podemos melhorar. E muito.

Sempre precisaremos falar de QSP

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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