Pré-sal e os negócios da China que só acontecem no Brasil de Temer, por Capablanca

A Petrobrás descobriu e mapeou no pré-sal brasileiro (sete quilômetros de profundidade no mar) a maior descoberta de petróleo dos últimos talvez cinquenta anos. Ninguém acreditava, mas a reserva confirmada já chega a dezenas de bilhões de barris. Dizia-se que o pré-sal só seria viável com o petróleo ao preço acima de oitenta dólares o barril, pois a Petrobrás só conseguiria extrair o ouro negro a quase quarenta dólares de custo por barril. E dizia-se também que a Petrobrás não tinha e nem teria condição de desenvolver a tecnologia necessária, avançadíssima. Pois bem, a Petrobrás produz já hoje mais de um milhão de barris por dia no pré-sal, com tecnologia própria e ao custo de mais ou menos dez dólares o barril. Para que o país e a população tivessem o maior benefício possível com a nova riqueza descoberta, foi criado o regime de partilha que, entre outras vantagens, destinaria dezenas de bilhões de reais para a educação e a saúde Brasil afora.

O governo Michel Temer e a nova Petrobrás acabam de jogar uma boa parte disso tudo na lixeira. O regime de partilha foi abandonado, a tecnologia que era nossa está sendo partilhada sem ônus com as petroleiras estrangeiras, as grandes reservas de petróleo do pré-sal estão sendo leiloadas e vendidas (sem competição nos leilões) a preços ridículos e, para completar, as petroleiras que virão extrair o petróleo não precisarão contratar mão-de-obra local, nem comprar insumos e equipamentos com conteúdo nacional expressivo (o percentual foi reduzido) e estão prestes a conquistar uma isenção de impostos estimada em 1 trilhão de reais ao longo dos anos de exploração.

É difícil entender o que está acontecendo se o raciocínio partir do interesse do Brasil e dos brasileiros. O petróleo é bom negócio em qualquer circunstância. Não era necessário dar tamanho benefício fiscal. As petroleiras estrangeiras não correrão risco, recebem reservas mapeadas confirmadas. E se não vão pagar impostos e contratar mão-de-obra local, que vantagem há nesse negócio?

Pode ser apenas burrice, mas não parece. Pode ser apenas incompetência do governo, mas também não parece. O que lhe parece?

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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