Pré-leitura do livro ‘Banco de Potenciais Humanos’, de Pedro Gurjão

O AUTOR

Pedro Gurjão é procurador da Fazenda Nacional. Fundou e dirigiu a Escola de Gestão Pública do Maranhão, formulou e orientou o Programa de Qualidade da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e o Plano de Qualidade e Produtividade do Estado do Maranhão. É graduado em Ciências Sociais e em Direito e pós-graduado em Administração Pública.

A PUBLICAÇÃO

O livro ‘Banco de Potenciais Humanos – Gestão Estratégica de RH’, de autoria de Pedro Gurjão, foi lançado em 1996 pela Editora Gente. O livro tem 107 páginas e teve seu prefácio feito por Maria Zélia Gandara, diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos. O livro é vencedor do Prêmio Nacional SeRHumano, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos-ABRH.

CIRCUNSTÂNCIAS

Pedro Gurjão foi levado do Ceará para contribuir com a modernização da gestão pública do Maranhão. Lá promoveu inovações marcantes, como a escola de formação de novos gestores públicos e um programa de qualidade e produtividade. Essa experiência e sua longa trajetória, a par de seu sólido e largo acervo intelectual, levaram-no a criar ideias para a máquina pública, uma delas é o Banco de Potenciais Humanos.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

O poder público, em suas três esferas, municipal, estadual e federal, é a maior máquina de prestação de serviços que se conhece. É quem mais arrecada, é quem mais gasta, é quem mais investe, é quem tem o maior número de clientes, e é, finalmente, quem mais emprega. Estima-se que o Brasil tenha mais de seis milhões de servidores públicos. No mundo privado nenhuma organização sequer se aproxima dessas dimensões.

Entretanto, essa gigantesca máquina não satisfaz nem seus servidores, nem seus clientes. Parte central dessa questão é tratada neste breve, mas denso, livro sobre a gestão de pessoas na administração pública.

O LIVRO

O autor do livro usa uma linguagem direta, sintética. Apresenta a proposta de criação do Banco de Potenciais Humanos para a administração pública e a defende em seis momentos em que divide o livro.

Na Introdução faz um diagnóstico severo dos problemas que a administração de pessoas acumulou ao longo do tempo no serviço público, onde o servidor é esmagado, o cliente mal servido e a sociedade assiste a tudo e tudo paga sem ter o controle.

Em seguida o autor se propõe a discutir cada um dos “pontos negros do elefante branco” e já vai expondo os princípios básicos de sua proposta.

Adiante, há uma exposição sobre o “homem integral”, com forte base teórica, apoiada em autores renomados, a partir de Abraham Maslow e outros mais atuais. Em seguida, compara as bases do tradicional (e anacrônico) modelo com a nova concepção.

A ideia do Banco de Potenciais Humanos é apresentada de forma didática e pronta para ser posta em prática, para, ao final, se projetar uma espécie de linha de chegada, uma administração pública profissional.

BONS MOMENTOS

— Não há nenhum controle social, nem mesmo ético ou jurídico, sobre a questão do desenvolvimento humano nas organizações. Gerir recursos humanos nos setores públicos brasileiros significa despotismo, esclarecido ou não. Muitos dirigentes públicos atuam como agentes neurotizantes e depressores do manancial humano.

— Deliberadamente submetido à livre manipulação político-administrativa, frustrado em suas expectativas de aprimoramento e de atualização profissionais, o funcionário público não pode ser visto como ‘resíduo tóxico’ ou bode expiatório de uma crise que não provocou, posto que jamais deteve o poder decisório sobre seus destinos.

— Essa compreensão implica reconceber e realizar o desenvolvimento dos recursos humanos do setor público a partir das potencialidades dos indivíduos e da sinergia dos grupos, até mesmo além das necessidades atuais do Estado, dos cargos, funções e serviços – e não apenas em face destes, como tradicionalmente se vem tentando fazer.

— Ponta avançada de Sistemas de Recursos humanos, o Banco de Potenciais Humanos objetiva mapear habilidades, vocações, tendências e latências de servidores com vistas à recuperação de sua identidade profissional, ao restabelecimento do contrato psicológico entre a instituição e o servidor, à elevação de sua auto-estima e à satisfação de suas necessidades de auto-realização, gerando condições para que o serviço público possa criar e recriar funções e atividades e ser reorientado e aperfeiçoado…

— Embora dirigido ao setor público – âmbito em que o desperdício humano é mais grave e mais desumano, porque financiado pelo conjunto da sociedade –, o Banco de Potenciais Humanos aplica-se, também, com a devida redução sociológica, à lógica dos negócios privados, sendo útil, portanto, a todas as instituições.

CURTAS

— A partir dessa visão, será possível antecipar cenários, retomar iniciativas, repensar conceitos, romper paradigmas e reaparelhar os indivíduos para o novo milênio…

— Os principais entraves são a inexistência de um banco de dados com informações amplas e diversificadas…

— …o combate ao desperdício humano e a potencialização das capacidades humanas no trabalho estão intimamente associados à profissionalização da administração pública…

— O fato é que esse servidor já foi visto com olhares menos incômodos. Hoje a sociedade o vê com alguma desconfiança, até com algum desprezo, pois não mais reconhece o jargão da ‘dignidade do serviço público’…

— O serviço público brasileiro chegou a um grau de decomposição tal que os cidadãos parecem não mais dispostos a financiar a máquina administrativa com sua contribuição tributária…

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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