PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES…, por Francisco Luciano Gonçalves Moreira (Xykolu)

A um tal de Cláudio, em especial.

“Eles parecem tudo escolher não pela qualidade,

não pelo valor estético,

mas pela afinidade ideológica.”

[Jana, em OS PROBLEMAS DA ESQUERDA…,

Segunda Opinião: 30.6.2017].

Gosto de ler o Haroldo, o Capablanca, o Osvaldo, a Jana e todos que colaboram com o Segunda Opinião. Saboreio criticamente o que eles escrevem, as ideias que defendem, a opinião que nutrem com lógica e, por extensão, com argumentos. Entre nós – autor e leitor –, há pontos de contato: penso como eles; também há os que se distanciam – e muito! – do que julgo deva ser o mundo. Ninguém é obrigado a escrever apenas para mim, para satisfazer meus desejos, meus anseios, minhas vontades. Ninguém é obrigado a venerar a bandeira que entendo deva manter hasteada. O universo é multifacetado; talvez a miopia é que iniba o olhar de pessoas que só conseguem ver o que lhes interessa. Perdoai-os, Senhor, eles não sabem o que perdem!

Na condição de leitor, usufruo de um direito inalienável: o de discordar, de contestar, de criticar e até de não ler. Não se trata, porém, de um direito absoluto; há restrições a observar. A mais fundamental delas: o meu olhar crítico deve cingir-se necessariamente ao texto que leio. E, mesmo que, em suas linhas, se revele um perfil de quem o produziu – é natural que isso ocorra –, preservá-lo já se torna obrigação que se me impõe. Não sou o dono da verdade, mas tento construí-la, solidamente, recolhendo pedras e argamassa que produtores textuais generosamente põem à minha disposição. E o caminho tem se mostrado longo – sinuoso e retilíneo, áspero e plano – e deleitoso.

Às vezes, escrevo. Gosto muito disso. Sinto-me útil no que faço. Sinto o pulsar das minhas veias: e isso é vida! Os meus textos me revelam. São, na essência, o que sou. Se eu não os escrevesse, eles morreriam dentro de mim. Se não houver quem os leia, jamais saberão o que sinto, o que penso, em que creio, o que amo… os meus sonhos e as minhas verdades, sempre em processo de construção. E, se isso não lhes interessa, não os leiam, por favor! Ao contrário, se lhes causam aprazimento, servem de alimento à alma, deleitem-se! E os critiquem! Mas peço: evitem rotular-me por isso.

Sou plural na minha singularidade.

“Adoro correr riscos quando vislumbro uma tênue luz no fim do túnel.

[…] Pôr uma gota de loucura num exemplar oceano de lucidez.”

[Eu, em O PRAZER DE LER II, My book of the face, pág. 260].

Um abraço fraterno a todos.

Luciano Moreira

Luciano Moreira

Graduado em Letras, ex-professor, servidor público federal aposentado.

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