Pobre Rio de Janeiro, pobre Brasil, por Capablanca

MichelTemer é moral, politica e intelectualmente muito limitado, medíocre, mesmo. Ele é oco, um completo vazio de qualquer qualidade mais consistente e íntegra. Mas, é ele quem está sentado na cadeira e está no jogo. O poder é sempre um jogo de xadrez. É interativo, dialético e tem lances imprevisíveis. O jogo impõe que o jogador preveja dezenas de lances à frente, como na política. O presidente acaba de fazer o lance mais dramático do xadrez: sacrificou a dama. As forças armadas eram uma espécie de reserva a ser usada em último caso, na proteção da Nação. Não são mais, viraram peões no jogo pessoal de Michel Temer. Mero peão que pode ser qualificado de várias formas: peão político, peão da guarda pessoal do presidente, peão de seus interesses e de suas conveniências, um peão qualquer a ser também sacrificado.

No jogo do xadrez, em finais demorados, ao atingir a oitava e última casa do tabuleiro, um peão pode virar dama (a peça mais forte e com mais habilidades e possibilidades). Michel Temer, inverteu a ordem e o progresso natural do jogo. No final do jogo e no final de seu mandato, ele inverte tudo e faz da dama um peão, rebaixa-a a um nada. Cientes ou não, conscientes ou não, as forças armadas aceitaram o lance, entraram no jogo. Agora são apenas peões de Temer. Disciplinadas, tiveram que aceitar, talvez, não tinham opções, quem sabe, ou aderiram com prazer, quem poderá dizer, podem até ter seus próprios planos, nunca se sabe, né?

E a dama vinha se comportando tão bem no jogo e o jogador jogando tão mal (este parecia estar jogando para perder) que fica difícil diagnosticar com precisão a estratégia do jogador. E quando se fala em estratégia a questão se complica. Porque Temer não é um estrategista, ele é apenas um peão. Há um estrategista do seu lado, ele está preso. Temer não pensa, nem decide. Ele é apenas jogado para lá e para cá, por quem o manipula como um mamulengo desajeitado.

Pobre Rio de Janeiro, pobre Brasil.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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