A pergunta de Renato Russo é atual, por Haroldo Ataújo

Renato Russo (1960-1996) compôs: “Que País é Este”, no ano de 1978. Esperou quase uma década para finalmente gravar o que se tornou um sucesso em 1987. Ele acreditava que as prováveis mudanças levariam sua música para o obsoletismo. Passados 40 anos da composição e as mudanças continuam sendo cobradas. Já elegemos salvadores da pátria que fizeram o contrário: acabaram com nossas finanças.

Acabaram com nossas finanças por pura irresponsabilidade e desrespeito aos princípios orçamentários e fundamentos de um plano de sustentação de nossa moeda. O Brasil tinha um rumo e tentaram mudar o que não deveria ser mudado, assim como agora em que o governo atual em flagrante situação de quase paralisia ante o processo eleitoral, dá sinais de que não vai dar continuidade ao processo de reformas que reverteram a maior crise recessiva brasileira.

Como se sabe o Brasil encarou 2 anos de queda do PIB e assim é que despencamos no ranking da preferência dos investidores internacionais. Mesmo assim, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) cresceu 4% em 2017 em valores próximos de US$ 60 bilhões. O ano de 2018 traz novos desafios, a exemplo da consolidação do processo democrático em concomitante investigação da Polícia Federal que abalou a política brasileira e seus líderes.

O Brasil já não discute se as reformas são ou não necessárias, mas discute a oportunidade de fazê-las, o tempo certo. Evidente que, faltando menos de 150 dias para a realização do pleito, precisamos saber o que os candidatos defendem e se o que prometem fazer, quando eleitos, é o que o povo espera deles. Tudo que não esperamos é que prometam o que não podem fazer ou que se utilizem de discursos midiáticos apenas para se eleger.

Com essa indefinição de rumos, já se registram números adversos e inesperados no setor mais sensível da economia. Os analistas esperavam que a produção industrial subisse 0,5% e assim não foi o que se confirmou, mas inversamente apontam para uma queda de 0,1%. As incertezas políticas provocam volatilidade cambial e obrigam uma interferência do Banco Central através Swaps, que há tempos não precisava fazer.

Assim é que as Instituições financeiras através de quadro de analista projetam para o ano de 2018 uma redução das previsões para o Produto Interno Bruto: de 2,8% para 2,5%. O fato é que a conjuntura internacional aponta para futura elevação dos juros pelo FED. Vejam que na Argentina o Banco Central (argentino) enfrenta as especulações com elevação dos juros, quando nós aqui apontamos viés de baixa.

O que desejamos de nossos políticos é que reajam à essa paralisia. Não se pode culpar somente o poder executivo pela não atuação proativa e de modo a se antecipar às ameaças internas e externas. A volatilidade cambial pode ser uma antecipação dos investidores pela indefinição de rumos em nosso país. Os investidores só entram num mercado quando têm a certeza de que poderão refazer suas posições e isso decorre da credibilidade que passamos ao mundo.

Definição de rumos e passar credibilidade é fundamental para a atratividade de investimentos e os políticos não estão procurando oferecer essa segurança, mas ao contrário mostram a preocupação em dar continuidade à sua própria incoerência. Tão fácil para todos os pretensos candidatos, seria o reconhecimento de erros que vêm sendo cometidos há décadas. Será que não se tocam! Repito a pergunta de Renato Russo: Que país é este?

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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