Paulo Junior Pinheiro: talento, determinação e inquietude

Fortalezense de coração, nascido em Belém do Pará, veio para o Ceará quando ainda era bem pequenininho. Hoje, Paulo Junior Pinheiro é  pai da Elisa e esposo de Eugênia Cabral,  professor universitário e gestor da Caramelo Comunicação e Coworking. Durante a infância, era o garoto que tinha bom relacionamento com todos, gostava de participar de todas as atividades da sala de aula e interagia com colegas, professores e profissionais da escola. Quando se programava um evento, seu nome era logo lembrado, chama o Paulo, e assim ele foi construindo laços, trilhando caminhos e escrevendo sua historia na comunicação  corporativa.

 

  1. Em que outra época gostaria de ter vivido: — de um modo geral, nós somos muito nostálgicos, a gente tem essa percepção de que uma época do passado era mais decente ou mais tranquila… sendo romântico, gostaria de ter vivido nos anos 20, por conta da ideia do desenvolvimento, da transformação do espaço urbano, o crescimento das cidades e a ideia da prosperidade que são palavras do ambiente corporativo, eu sou da cidade, mesmo… mas não que eu imagine que uma outra época seja melhor que hoje, cada contexto social é específico.

  1. A palavra que eu mais gosto; — eu gosto muito de duas palavras, gosto muito de AUTONOMIA, porque acho que a gente tem que ser responsável pelos nossos atos e pelas nossas decisões, vivemos uma cultura de transferir para o outro as responsabilidades, e na verdade somos autônomos e temos que exercer a nossa autonomia mesmo, o nosso entendimento de que somos livres para decidir, para caminhar, para aguentar inclusive as decisões que a gente tomou e para respeitar o outro e se respeitar também. A outra palavra que gosto é INQUIETUDE, eu gosto muito de pessoas inquietas, e não é a inquietude sem propósito, ela não é a inquietude pela inquietude, mas aquela que nos mobiliza, porque na relação com a autonomia quando a gente se mobiliza para alguma coisa, entendendo que nós somos protagonistas desse processo, eu acredito que a gente consegue transformar nossa própria vida e o nosso entorno.    — A palavra que eu não gosto é PREGUIÇA, talvez pelo que ela representa como atitude, e eu explico o motivo, é aquela pessoa que arrasta o pé, que não tem muita vontade. E não estou dizendo que a gente não pode viver a preguiça, até porque todos nós precisamos viver o momento, o ócio, não precisamos ser produtivos o tempo todo. E outra palavra que posso citar é o DESRESPEITO, porque quando eu falo de autonomia, significa que a gente é livre para decidir o que consideramos um bom caminho de vida, o que é relevante pra gente. Isso significa que somos todos diferentes, não adianta pregar autonomia e eu querer enquadrar as pessoas em determinado modelo, porque assim eu só vou pregar autonomia para aqueles que pensam como eu. O respeito ao outro e à gente mesmo é saudável num ambiente democrático, respeito às diferenças.

  1. Um filme para ver de novo: — tem um filme que foi muito emblemático pra mim, de muita sensibilidade e tem a ver com um momento muito bonito da minha vida, que é o filme Compramos um Zoológico, (dirigido por Cameron Crowe). Um pai que passa a assumir o cuidado dos dois filhos.  Ao perder a esposa, ele compra um zoológico e se muda para viver lá. O filme fala de afetos e a relação de família se estende aos bichos e às pessoas que cuidam do zoológico. Assisti no dia 16 de dezembro de 2012, minha filha estava para nascer, e eu e minha mulher estávamos falando como seria, fazendo planos para o futuro, era um domingo e minha filha Elisa nasceu na segunda.


  1. Politicamente, hoje, se eu fosse me redesenhar, eu diria que sou centro-esquerda, então vou citar novamente a metáfora da sala de aula onde eu ficava bem no meio e dialogava com quem estava sentado à frente e com quem sentava logo atrás, centro. esquerda, mais à esquerda, sim, pela minha formação.  Eu venho de uma realidade social adversa, estudei comunicação na Universidade Federal do Ceará (UFC), vivemos um momento de falta de investimento do poder público ali, a nossa visão crítica em relação ao poder público foi muito forte naquela época.  Estando nas salas de aula das instituições particulares, eu vi a importância que o ensino superior teve de um determinado momento político para hoje. Não tem como não ser mais à esquerda.  Porém eu ainda defendo o diálogo, porque senão a gente vai para uma postura em que de fato a gente não consegue perceber o outro, achando que só a verdade está conosco.


  1. Quem você ressuscitaria: — eu ressuscitaria uma pessoa que teve uma importância muito grande na literatura para mim, o José Saramago, porque é uma pessoa que faz muita falta, assim como outros, e a gente gostaria de tê-los um pouco mais.

  1. O livro que já li várias vezes: — Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, fez uma grande diferença na minha vida, depois que o li pela segunda vez. Li quando era adolescente e achei dificílimo. Num segundo momento, já adulto, eu entendi que algumas coisas na nossa vida só fazem sentido com o tempo e com a maturidade, as relações com as pessoas, com o entorno da casa, a ida, a volta, tem muita a ver com a história que eu vivi.

  1. Eu me acalmo com minha família me acalma, mas hoje em dia sei que precisamos ter um momento muito para nós mesmos, por exemplo comecei a fazer atividade física para meu bem-estar.

  1. Eu me irrito com falta de educação e respeito. Nesse processo de amadurecimento que o País precisa viver ainda temos que aprender bastante sobre a noção de respeito, e me irrito também com o calor excessivo, parece bobagem, mas me irrita, (risos)


  1. A emoção que me domina; — eu acho tão bonito chegar em casa e minha filha perguntar “papai como foi o seu dia? ” E acompanhar o desenvolvimento dela como ser humano me deixa muito feliz, as conexões que ela faz quando escuta as estórias.

 


  1. Um dia ainda vou viajar mais, a gente aprende muito, relativiza nosso universo, conhece outras culturas… E quero viajar para lugares diferentes do roteiro habitual, como a China, a Índia…

  1. Existem heróis? Qual o seu? — Os heróis para mim são pessoas por quem eu nutro uma admiração muito grande, então eu tenho três heróis que são meus pais e minha avó. Tenho uma enorme admiração pela minha avó materna, uma pessoa extremamente positiva, conciliadora e de personalidade fortíssima; ela é agregadora.  Meus pais, que em uma realidade muito difícil, cheia de adversidade, conseguiram vencer na vida. E quando falo “vencer na vida” é conseguir criar bem os filhos.  Por exemplo: meu pai tem ensino fundamental, mas é uma pessoa arrojada e empreendedora, assim como minha mãe. Eles são grande parte do que sou.

  1. Religião;–  eu acredito em Deus, tenho fé, essa palavra forte, mas sou o católico não praticante.  Quando vou à missa, me sinto muito bem, mas, se acredito em Deus, eu preciso ter a capacidade de percepção do outro.

  1. Dinheiro é necessário para a gente viver; como empreendedor precisamos manter o negócio. Mas o dinheiro tem que ser aplicado naquilo que é relevante para nós.  Por outro lado, ele é inversamente proporcional ao tempo. De um modo geral, tenho uma relação muito saudável com o dinheiro.

  1. A vida é o hoje, o agora, as vezes focamos na morte e esquecemos da vida. E a vida é muito efêmera, não controlamos nem o tempo, nem a vida.

  1. Se eu tivesse o poder, eu mudaria a desigualdade social…chega essa época de natal, vemos muita gente nas ruas. Muitas vezes elas não têm o mínimo para viver.

  1. Eu gostaria de ser: — acredito que não gostaria de ser uma pessoa em particular, mas gostaria de ter algumas habilidades de pessoas que eu admiro. Se eu tivesse um pouco mais da coragem dos meus pais, um pouquinho mais da força da minha avó, a inteligência da minha esposa e um pouquinho mais da alegria da minha filha com relação a pequenas coisas, comum nas crianças, e assimilar um pouco pra ver se a gente se torna um ser humano mais decente.


  1. Não perco uma oportunidade de aprender. Nós, principalmente os jornalistas, somos muito pressionados a saber das coisas, e isso vem limitando o nosso processo de aprendizado, porque temos vergonha de dizer que não sabemos, se alguém nos pergunta: “você sabe sobre isso?” e dizemos “humrum”, hoje em dia eu não perco a oportunidade de dizer que não sei e assim eu aprendo mais.

  1. A solidão e o silêncio: — o silencio é intimidade, porque quando não temos conhecimento de nós mesmos ou do outro, a tendência é falar.  Quando temos grande intimidade com uma pessoa, o silencio é sinal de que estamos muito à vontade. Solidão é um dos males da contemporaneidade, que pede que você seja aceito e benquisto, e por isso esse barulho todo nas mídias sociais,…é um dilema, quando paramos e conseguimos olhar pra nós mesmos.

  1. O Brasil é um país super complexo, apesar de muito bonito e com tantas diferenças, uma variedade de gente muito grande, é extremamente individualista, mas precisa fortalecer o ponto de vista democrático. A cultura da corrupção é muito forte em cada um de nós…pode parecer polêmico mas às vezes não estamos preocupados em combater a corrupção, é uma dificuldade de lidar com aquilo que não nos pertence, a grande corrupção justifica a pequena — se eu pego dez centavos que não eram meus, um bombom que não era meu e digo “ah… um político roubando milhões”. O Brasil vive um processo lento de amadurecimento democrático.

  1. O ser humano — eu tenho a crença de que tende sempre a melhorar, também entendo que tudo é cíclico, a gente vai e volta, mas cada vez vai um pouquinho mais. Então eu tenho fé mesmo e acredito que o ser humano vai evoluir e se tornar espiritualmente melhor.

  1. Eu me vejo muito no contexto social em que vivo hoje, gosto do papel de pai, pai da Elisa especificamente, gosto dessa postura professoral em que a gente troca conhecimento e intermedia informação, marido da Eugênia (Cabral), do filho da dona Conceição e do Afonso, me vejo como uma pessoa simples e inquieta ao mesmo tempo, que é pai e professor, me colocando como esse ser humano. A mensagem que deixo é: você tem que procurar estar nos lugares e nas representações que nos fazem bem; se você estiver bem com você mesmo, vai saber lidar com o julgamento do outro, não tem erro.


O filho de uma típica família nordestina,  Paulo Junior Pinheiro da Silva, a exemplo de seus pais, é uma pessoa firme, agregadora e  muito muito querida. Um jovem talentoso e um ser humano admirável pela coerência e pelo seu modo de estar em sociedade. Quem conhece o professor e amigo, facilmente pode se contagiar pela energia positiva, a determinação, a disponibilidade em compartilhar saberes transmitidos através de palavras, atitudes e o  azul, cor de promessa dos seu olhos.

Heliana Querino

Heliana Querino

Heliana Querino, jornalista, aprendiz de blogueira, fotógrafa e colunista do Segunda Opinião.

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