Os inconsistentes posicionamentos políticos, por Haroldo Araújo

Muitos jornalistas e articulistas ou escritores não enveredam pelas entranhas de temas controversos por comodidade ou porque não querem enfrentar contestações dos leitores. Temas candentes e que se relacionam com as paixões políticas e ideológicas são evitados. O fato é que essa acomodação não traz nenhuma contribuição aos debates com vistas ao aperfeiçoamento da abordagem desejada pelos que buscam informação.

Em função dessa postura conservadora, os políticos se acomodam e seguem os noticiários que também não são bem definidos e por essa razão colaboram na manutenção do “status quo” em que, seguramente, se mantém significativa parcela da classe política dominante. Durante uma década e meia os atuais opositores estavam no governo. Em oposição são os donos da verdade, da ética e da boa governança. Retomam emocionalmente o discurso que os levou ao poder.

Tal posicionamento deve ser atribuído à guerra desmedida aos programas para arrumar as contas públicas. Os arranjos para organizar as Finanças Públicas exigiriam sacrifício de todos e esse sacrifício popular não dá votos. Envolveria a participação de quase todos os atores políticos numa “Consertação”! O MDB está sempre no poder, com Fernando Henrique, Com Lula, com Dilma e agora com Temer. Provavelmente será governo no fim das eleições de 2018.

Evidente que o PT não se sustentou no topo do poder, conquanto tenha sido uma continuidade de FHC no primeiro mandato de Lula para se sustentar. Quando passou o bastão para Dilma o “tom” já havia mudado. O desastre do governo Dilma se deu pela falta de coerência entre o discurso e a prática. Michel Temer governa buscando apoio no Congresso Nacional para aprovação de seus projetos na esteira das indicações para cargos ou liberação de verbas paroquiais. Mesmo diapasão! Dia 10.04.2018 nomeou 10 novos ministros e liberou efetivos.

A solução no campo financeiro está no Orçamento Público e é lá, no orçamento, que reside o maior potencial de uma gestão pública responsável. Os governantes atuariam focados nos reais interesses da nação porque os nossos representantes no legislativo depois de eleitos esquecem as prioridades e a partir desse viés é que nascem os descaminhos que levam ao inferno astral de um gestor público. Uma “Consrertação” é carência visível! Só não vê, quem não quer.

Quantas obras inacabadas e às vezes faraônicas que se perpetuam. Entra governo e sai governo e parece que as críticas se repetem. Os mesmos políticos se perpetuam e se revezam no comando de postos chaves da república. Então nada muda e parece que vai continuar assim por alguns anos. Isso vai depender da renovação do quadro de parlamentares. A menos que se conscientizem dos compromissos eleitorais, os políticos vão continuar recebendo toda culpa..

Mesmo depois de um impeachment, ainda não vislumbramos melhoras nos entendimentos políticos, porque os fatores determinantes dos posicionamentos políticos estão postos. Saiu Dilma e entrou Michel nada mudou. Michel também vai sair daqui a 180 dias e a nossa escolha para substituí-lo é que será determinante para os aperfeiçoamentos desejados. Uma eleição da maior importância para consolidar as mudanças esperadas pelo povo brasileiro.

Para que tudo se processe da forma como o povo anseia, é preciso que todos se conscientizem de suas responsabilidades nas eleições de 2018. Essa apreciação começa durante a campanha eleitoral próxima. Como se diz na linguagem comum: O povo está com a faca e o queijo na mão para promover as alterações que desejar e de modo a acabar de vez com os inconsistentes posicionamentos políticos. Inconsistência na política é colocar o interesse pessoal acima dos interesses da nação. Precisamos trazer de volta a confiança na política..

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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