Os Economistas, os economistas e os “economistas”, segundo Celso Furtado

“…Não existe uma ciência social à altura dos grandes desafios que nós temos. Eu fico pensando que avanço fez a Ciência Social nesses trinta, quarenta anos em que estudo essas coisas todas? Eu não vejo nenhum. Os prêmios Nobel de Economia são de pouca significação, pois se limitam a coisas específicas…

“Houve uma involução da Ciência Econômica, que de ciência social e global que era desde a época de Adam Smith, foi se transformando mais e mais em um conjunto de técnicas operacionais. Fora dos problemas técnicos, não se consulta um economista…

“Na minha época nenhum economista pensava em ser consultor, pois não havia mercado para isso, ou porque não se considerava que fosse essa a função do economista. Ao passo que, hoje em dia, a aspiração do economista é ser um grande consultor. Quem inaugurou isso foram os americanos. Na Europa tinha-se outra ideia do economista, que era um professor com toda sua respeitabilidade…

” …Eu me recordo que o professor Nogaro me contou uma vez: “Os japoneses quiseram me pagar para que eu desse uma opinião sobre problemas monetários e eu disse que escreveria um artigo e eles usariam as minhas ideias, mas eu não as venderia para ninguém!” (risos) Era outra concepção…”

(Trechos da entrevista de Celso Furtado no livro ‘Conversa com Economistas’, de Ciro Biderman, Luis Felipe L. Cosac e José Marcio Rego, Editora 34.

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