Os desafios do final do governo Temer, por Gilvan Mendes

As delações de Joesley Batista acusando o presidente Temer e o Senador Aécio Neves de graves delitos, apresentando provas que estão sendo discutidas no Supremo, marcaram o fim de uma coalizão política que mantinha o Governo  e traz desafios para a governabilidade de médio prazo. Mesmo que Temer continue no Poder até 2018, pois vai resistir, os fatos revelados esta semana não farão do Governo o mesmo que iniciou com o impeachement de Dilma. Não terá mais foco nas reformas propostas. Representaram simbolicamente um sério arranhão de um projeto político articulado pelos principais partidos políticos: PMDB/PSDB/DEM, em consonância com setores outros da sociedade civil. Mostra que está longe de ter sido apenas o afastamento de Dilma Rousseff, mas um projeto de poder. O que seria um rearranjo das elites, o impeachment levava o PT a uma posição de ”lobo mal”. Segundo a delação de Sérgio Machado, vendia-se a versão de que para acabar com a  corrupção no País só bastava achar um culpado, no caso seriam Lula e Dilma e o conjunto do Partido dos Trabalhadores. Essa delação mostra que essa avaliação foi precipitada
 

Acompanhando o processo histórico, isso parecia está indo muito bem. Dilma saiu, Lula cada vez mais acuado pela Lava jato, e o PSDB mais fortalecido. O PMDB chegava ao Poder pela terceira vez sem a bênção do voto popular, mas com o governo Temer comprometido com medidas  de Austeridade. Um jornalista do O Globo (Lauro Jardim) revela os áudios envolvendo Temer/Aécio. Foi a bomba que parece ter mudado a correlação de forças da coalizão de poder. Em editorial o jornal O Globo critica Temer e revela claramente que a coalizão do governo se rompeu. Aécio, como Temer, foi flagrado recebendo dinheiro de um comparsa do empresário para ”pagar as despesas com advogado no processo da Lava-Jato”. PMDB e PSDB foram atingido gravemente no seu coração aliviando a pressão contra o PT e Lula. A crise política foi instalada e as mudanças em andamento, tanto nas leis trabalhistas e noa Previdência Social foram paralisadas. A economia deu logo sinal de que seria também afetada e todo processo de recuperação da economia do ministro Meireles.

 

Política, mais do que a busca do bem comum, como deveria ser, é realmente uma correlação de forças da Sociedade Civil. Como um Time de futebol, os adversários têm que avaliar as forças que vão enfrentar e desenvolver uma estratégia apropriada. Temer, contudo, tem uma sobrevida. Tasso Jereissati deu um prazo para tirar o apoio do governo Temer: quando o Supremo Tribunal Federal julgar o recurso de presidente para que não seja investigado pelo ilegalidade das provas.  Foi também Tasso Jereissati, na época do governo Collor, quem decidia, como presidente do PSDB, que sobrevida daria ao presidente.

O PSB foi o primeiro que saiu da base do Governo , Ronaldo Caiado escreveu para a Folha de São Paulo (20/05/17)  afirmando que ”Sem renuncia de Temer resta o Impeachment” ou seja , sinalizando uma alternativa pós Temer. Quem desaprovava as medidas de Austeridade do Governo já se mobiliza na linha do ”Fora Temer” que antes só era engrossada pelos Simpatizantes do PT/PSOL/PSTU/PCdoB. Temer diz que não renuncia e começa a pedir o apoio de aliados.

 

O xadrez Político se complica ainda mais. As ruas buscam a “Direta já” e as lideranças que levaram ao impeachment de Dilma buscma a eleição indireta, pois a possibilidade de Lula voltar com eleição direta é evidente. Os candidatos já se apresentam, como Bossonaro, Dória e Ciro Gomes. Lula e o PT declaram-se a favor das “Diretas Já”. O povo , temo , irá assistir a tudo isso novamente bestializado:

O clima da anti-politica ganha fôlego com Dória e Bolsonaro cresce seu Capital Politico justamente com este mote, a do candidato ”diferente” e ”honesto” contra os corruptos  e maléficos do sistema. Ciro Gomes se apresenta também como opção para trazer ao Brasil a pacificação, com o apoio da esquerda. No PSDB, o governador ainda não desistitu de ser o candidato natural. E como se apresenta Lula caso seja candidato? Vai apelar para o “recall”?

Gilvan Mendes Ferreira

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará.Com interesse nas áreas de Teoria Política , Democracia e Partidos Políticos.

Convidado

Artigos enviados por autores convidados ao Segunda Opinião.

Mais do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *