Os apóstolos da dupla Temer-Meirelles, evangelizadores das reformas sem fim, e a palavra de ordem da semana, por Capablanca

Mesmo as pessoas mais ingênuas e que se deixam manipular pelo noticiário da televisão, ligaram o desconfiômetro esta semana, quando viram, em sequência, fatos que se chocam e contradizem frontalmente as versões repetidas e repetidas à exaustão pelas Tvs e pelos papagaios tropicais (economistas e jornalistas).

O fato de uma universidade demitir de uma vez hum mil e duzentos professores bate de frente com a versão de que a economia está acelerando e a recessão está ficando para trás. O fato também bate de frente com a versão de que a reforma trabalhista foi feita para modernizar o Brasil. Nem a economia se recuperou, nem as reformas são feitas para modernizar.

O fato de que em menos de dois meses um reitor se suicidou e os dirigentes de duas universidades foram levados de casa em condução coercitiva às seis da manhã com o aparato de 83 policiais, sem que não tenham sido sequer previamente convidados a depor ou formalmente acusados, é um daqueles fatos que não é preciso ser um professor universitário para entender. O discurso de combater a corrupção tem, de fato, outros objetivos.

O terceiro fato foi noticiado com ‘glamour’ nos jornais da noite em horário nobre: a volta do fogão à lenha, como uma coisa simpática e até charmosa. Será? Será que é isso mesmo? Ou o fato real é que as pessoas mais pobres estão sem condições de pagar o gás, porque o preço subiu muito? O fato bate com a versão: não há ‘glamour” nisso, nem é simpático e charmoso fazer a sociedade andar para trás, décadas no tempo.

Outro fato foi a ‘receita’ de futuro para o Brasil, feita pelo Banco Mundial: acabar com a universidade pública gratuita, reduzir benefícios sociais e diminuir a ação dos bancos públicos no financiamento às empresas.

Nas vésperas do impeachment, ano passado, houve uma enorme e radical mobilização das entidades empresariais para mobilizar multidões, para ‘mudar o Brasil’ e por uma “basta na corrupção”. Em cada estado brasileiro, essas entidades formaram e financiaram grupos e comitês de apoio e mobilização política. Eram empresários, executivos e até professores atuando em conjunto, cada um com seus familiares.

É perfeitamente possível admitir que, naquele momento, a maioria atuava de boa fé, acreditando mesmo que estava mudando o Brasil para melhor, que a lei era para todos, que se combatia a corrupção e valia a pena derrubar o governo, anular uma eleição, romper a democracia.

Agora não dá mais para se enganar. Engana-se quem quer, quem tem interesses diretos ou indiretos. Mas os beneficiados não fazem a sua própria defesa. Eles usam pessoas do nível imediatamente abaixo na hierarquia, a classe média alta, como escudo e como aríete.

A corrupção só aumenta, a crise não se enfrenta, a economia não é sequer administrada, o governo federal está fazendo negócios estranhos, apressados e inaceitáveis, o futuro está sendo cancelado e só o passado se apresenta em forma de fogão à lenha, de trabalho precário, de desemprego, de recessão, de atraso, de violência contra a educação e até contra professores, sem falar da perda de soberania.

O fato é que os comitês e grupos de evangelização criados no entorno das entidades empresariais para ajudar no impeachment gostaram da experiência, sentiram-se vivos e ativos. E não se desmobilizaram. Ao contrário, radicalizaram-se. Não defendem interesses empresariais normais do industrial, do comerciante e dos empreendedores, mas uma agenda não se sabe de quem, uma agenda de reformas que não tem começo, meio e fim, nem lógica.

Viraram fanáticos, estão dispostos a tudo. São os apóstolos da dupla Temer-Meirelles, os evangelizadores da máquina do tempo que só anda para trás. Não são ingênuos, são espertos e articulados, embora nada argumentem, só repetem o seu credo: reformas, reformas, reformas.

É fácil identificá-los. Esta semana, sua palavra de ordem é a ‘Verdade’.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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