A operação lava-jato parou na porta dos bancos. E agiu certo, por Osvaldo Euclides

Junto com as maiores empresas de engenharia do Brasil, os bancos apareciam em todas as listas oficiais ou não dos grandes partidos, por anos e anos, seguidamente, como os maiores doadores de dinheiro para as campanhas eleitorais. E todo mundo sabe que, convenientemente, os órgãos policiais e judiciários, Ministério Público incluído, tudo fizeram para colocar no saco carimbado “propina” todas as doações, fossem legais e legítimas, caixa 1, caixa 2, propina ou suborno explícito. Se não o fizeram diretamente, fecharam os olhos e calaram, coniventes.

Havia o risco de as operações saírem de controle e fugirem do objetivo central, evidente desde o início. E isso não previa o envolvimento dos bancos, não era necessário, não era útil, não era desejado. Melhor dizendo,tinha que ser evitado a qualquer preço. E o preço foi pago apenas (sic) pela Petrobrás, pela engenharia nacional, pela indústria naval, pela construção civil e por empresas pequenas, médias e grandes que estavam ligadas mais diretamente a esses circuitos. E isso não é pouca gente (toda família brasileira tem hoje um desempregado).

(A Petrobrás, por exemplo, em muitos momentos pode chegar a ter quase dez mil fornecedores em toda a sua gigantesca operação. Uma crise na Petrobrás afeta toda esta corrente. Pouca gente consegue imaginar e calcular o prejuízo para o Brasil. Um desastre essa perseguição político-midiática-judicial contra uma empresa exemplar, talvez, junto com a Apple e o Google, as mais desejadas e bem sucedidas do mundo.O tempo e a história vão mostrar isso.)

Voltando aos Bancos. Os comentaristas políticos dizem que a operação lava-jato chegou à porta dos bancos e parou. Alguns mais afoitos reclamam, e dizem que não há justificativa para isso.

A operação lava-jato agiu certo com os bancos. Não precisa dizer que é um absurdo combater a corrupção destruindo empresas e empregos. É pior do que isso, é burrice. E o que há ainda mais errado é que o combate à corrupção como doença foi superficial, transitório e ineficaz. Nada foi alterado em termos estruturais, tudo poderá continuar como antes no jogo entre corruptos e corruptores, na conjunção entre a gestão pública e os interesses privados.

Voltando aos bancos, de novo. Os banqueiros são poderosos e sabem exercer o poder. Antes que o japonês da federal lhes batesse às portas, eles acertaram com o presidente da República e com o presidente do Banco Central uma maneira de evitar acertar as contas com a Justiça, como aconteceu com a Petrobrás, com a indústria naval, com a engenharia pesada e com a construção civil, entre outros treze milhões de desempregados.

Os banqueiros foram formal e legalmente autorizados a firmar com o Banco Central acordos de leniência e obter perdão e sigilo para seus eventuais (digamos) crimes. Nunca saberemos de nada.

Vejam a opção: atacado o sistema bancário, a reação poderia ser maior que a soma de todas as outras tragédias. Os bancos, quando a confiança neles é abalada, podem provocar um efeito dominó devastador, como um terremoto que não cessa, como uma bomba de hidrogênio que deflagra outra, que deflagra outra. O Brasil não tem terremotos e bombas atômicas, tem lava-jato.

Claro que isso é um doce privilégio para bancos. Mas, é razoável ponderar que já basta de destruição, basta de burrice, basta de agredir o interesse do Brasil e dos trabalhadores brasileiros.

Como se vê, se alguém tem o poder de dar um basta em tudo isso, são eles, os banqueiros.

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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