Ó THÉMIS! Ó DIKÉ! Ó IUSTITIA! por Francisco Luciano Gonçalves Moreira (Xykolu)

I – DA PETIÇÃO

 

Ó Thémis!

A vós, que sois

A divindade grega do jusnaturalismo,

A Lei dos Deuses,

Eu vos imploro:

Iluminai

Diké, vossa filha,

A divindade grega do juspositivismo,

A Lei dos Homens,

De sorte que,

No caso concreto, na questão fática,

Com a destreza com que maneja a balança

Da igualdade, da isonomia,

Empunhe a espada

Do poder-dever,

E estabeleça o devido equilíbrio.

Por ser de Justiça!

II – DOS FATOS

 

Porque nasci mulher, pobre e negra,

Você me vê como presa fácil, fêmea incauta, sexo frágil, e então se acha no direito de sujeitar-me ao imoral e malquisto contato com o seu duro membro, à plena luz para fora posto.

Porque nasci mulher, morena e pobre,

Você se acha no direito de sujeitar-me à sua macheza covarde, manipulando o seu rijo órgão e estimulando-o com o roçar da glande intumescida na suave e sacrossanta pele do meu rosto.

Porque nasci mulher, pobre e mulata,

Você, macho, sexo forte, desencobre a sua sem-vergonhice e masturba-se até ejacular no meu pescoço uma gosma imunda, nojenta, repelente, que pelo meu colo escorre. Bicho e lixo.

Você, um traste repugnante, atrevidamente indelicado, inconsequente e delinquente, se acovarda e fantasia de síndrome – de quê, mesmo?! – o seu vil, ascoso e ultrajante esguicho.

Se, nascida mulher de qualquer classe e cor, me divirto e me embriago,

você se aproveita da minha circunstancial fragilidade

e agride covardemente a minha feminina identidade,

introduzindo o seu perverso dedo nas minhas intimidades,

sem se preocupar, insensivelmente, com o que isso me causa de estrago.

Saiba, carrasco tormentoso, que a minha dor vai muito além de um inconsciente medo!

Você nasceu pobre de espírito e, da natureza humana, não passa de mero arremedo!

Sinto muito nojo de você! Eu o abomino! Quem, de sã consciência, não o despreza?!

Você consegue ser mais asqueroso que a gosma nojenta da sua covarde macheza.

Você demonstra ser mais desprezível que o seu dedo medonho, sórdido e execrando.

Você se revela pequeno; tanto menor quanto o seu membro ignóbil, abjeto e nefando.

 

III – DA CONCLUSÃO

 

Ó Thémis!

Ó Diké!

Ó Iustitia!

Que sempre se estabeleça

O império da Justiça!

Luciano Moreira

Luciano Moreira

Graduado em Letras, ex-professor, servidor público federal aposentado.

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