O ser humano é que deve ser o centro da debate, não o mercado, conclui audiência pública no Senado

O ser humano deve ser o ponto central do debate ético, afirmaram nesta segunda-feira (18) os participantes de audiência pública na Comissão Senado do Futuro (CSF). No encontro, que teve como tema a ética nas relações humanas, os debatedores criticaram a ênfase dada na sociedade atual às questões econômicas e de mercado em detrimento das pessoas, da vida e do meio ambiente.

Na visão do secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Ulrich Steiner, pensar a ética é pensar o ser humano. Ele afirmou que a ética é “um saber da relação, da ação e da vida” e disse lamentar que, nos dias atuais, a economia seja uma imposição do mundo. Para Dom Leonardo, é grave quando a sociedade precisa “justificar o mercado”, esquecendo o ser humano.

— Nas questões da vida e do meio ambiente, perdemos o horizonte da ética. Só vemos a questão econômica — lamentou.

O jurista e professor da UnB José Geraldo de Souza Junior afirmou que o estudo da ética demanda a necessidade de crítica às instituições estabelecidas. Para o professor, a democracia é a expressão do debate sobre a ética, que exige o respeito às diferenças e às minorias.

O reitor da Universidade Internacional da Paz (Unipaz), Roberto Crema, apontou que a ética não pode se resumir aos humanos, mas deve alcançar o relacionamento “com a natureza e com o transumano”.

Para o ex-senador e presidente da União Planetária, Ulisses Riedel, um estudo profundo da ética deve transcender a materialidade. Ele ressaltou que o respeito ao outro é o respeito ao todo e também a si mesmo. Segundo Riedel, pensar a economia como forma de distribuir riquezas é dar uma dimensão prática à ética.

— Acreditamos que a ética pode salvar o mundo. A ética do amor é a ética que supera tudo — afirmou.

A audiência foi sugerida e coordenada pelo presidente da comissão, senador Hélio José (Pros-DF). Para ele, a ética vai além das questões filosóficas e atua como “um cimento” que pode unir a sociedade.

Agência Senado

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