O que se passa na nossa economia, por Haroldo Araújo

A longa recessão se deve muito mais à busca de soluções de caráter sustentável do que repetir erros do passado, a exemplo de montar um pacote de medidas que tinham o condão de mostrar resultados de imediato, mas também criar bolhas que nunca sabíamos quando iam estourar. Ninguém mais acreditaria em soluções milagrosas de salvadores da pátria. Planos que se repetiam e moedas eram trocadas para justificar uma nova era brasileira que nunca se concretizava

Quando assistimos à degradação social de alguns países com economias que, ainda recentemente, despontavam no cenário político e econômico como promissoras, chegamos a nos assustar e até mesmo pensar que poderíamos estar no lugar daquele país. Alguns enfrentando dificuldades até para obter recursos para alimentar a população mais desfavorecida. Casos recorrentes em que se registram fugas através de suas fronteiras. Um êxodo em busca de nossas fronteiras. Imagine.

Vale destacar os esforços do povo brasileiro, no que pese a insensibilidade de quantos não sentem que o momento não é de disputa política, mas de compreensão para salvarmos conquistas sociais como a aposentadoria sim! Como bom exemplo! Há quem diga o contrário. Há resquícios de um certo saudosismo de um tempo em que os recursos eram abundantes e as gestões ineficientes encobertas pelos déficits tolerantemente acolhidos pelo establishment e a própria sociedade.

A equipe econômica luta por crescimento sustentável no médio e longo prazo, fato que se dará com a retomada dos investimentos. Há gestões para a volta de melhorias em infraestrutura, assim como as privatizações, tudo no sentido de criar alicerces e assim sustentar o crescimento. A volta do emprego de forma sustentável se daria complementarmente aos registros de recuperação ainda pequena dos índices de aumento do consumo, no momento, em razão da queda da inflação.

Em passado recente esse aumento do consumo era turbinado pelo crédito, mas não tinha sustentabilidade. Agora a melhoria do PIB ao sair do período recessivo se deve ao próprio poder de compra aumentado naturalmente e sem anabolizante pacote de medidas. Outro fator: A PNAD registrou queda de 13,7% em março/17 para 12,4% em setembro/17 na taxa do desemprego. Há uma expectativa para a continuidade do aumento do consumo em face da volta do emprego.

Um dado para comprovar a melhora: O índice de atividade econômica do BC (IBC-BR) registra crescimento de 0,58% no 3º- TRIM de 2017 . O IBC-BR é uma prévia do PIB e o esperado para o final deste ano é de crescimento de 0,7% e no ano seguinte em 2018: o PIB será de 2,5%. Paralelamente a isso já se tem uma, também consistente, queda nos juros bancários. Prova disso é a queda do ICC (Indicador de Custo de Crédito). 16% a.a. para as empresas.

O BC continua observando os limites estabelecidos nas taxas de juros estruturais, segundo Ilan Goldfajn: Aquela em que, em tese, há crescimento (PIB) sem geração de inflação. Assim sendo, segundo o Presidente do BC, a conjuntura atual prescreve uma “Política Monetária” capaz de estimular os negócios porque a taxa ficaria abaixo daquela de juros estruturais. Há uma queda dos juros reais (taxa de juros expurgada a inflação).

Há riscos no cenário? Sim. Como? Se houver frustração das expectativas de aprovação das “Reformas e Ajustes”. O dirigente do BC esclarece que o fato se daria com o aumento dos prêmios de riscos e a consequente reversão da trajetória de queda da inflação. Vale destacar que há sim uma ingente luta para oferecer um cenário favorável ao nosso crescimento de forma sustentável e não pela via da formação de bolhas ameaçadoras. Há mais confiabilidade sim!

Os empresários e investidores sabem que não existem certezas de retorno (Taxa ROI) garantidos em nada. É assim essa fascinante ciência chamada de Economia. Todos gostam de formar cenários econômicos de modo que ofereçam previsibilidades e isso o atual governo tem-se empenhado, porque agora discutimos com clareza e transparência o que se passa na Economia quase blindada.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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