O pronunciamento de Temer e o fim da sutileza, por Rosana Medeiros

Ontem, Michel Temer, “presidente da república”, investigado pela procuradoria geral em um caso de corrupção que tem provas de áudio, vídeo e depoimentos, contas e cheques, foi a TV para em pronunciamento ameaçar o procurador-geral Rodrigo Janot, sugerindo que ele – seu investigador – poderia ser associado a corrupção através de um assessor.

Assim, a luz do dia, mostrou aquelas mãozinhas minúsculas e fez gestos teatrais e para sugerir que poderia revidar contra o seu investigador.

Não podemos esquecer que quem o ungiu presidente foi o ex-deputado federal, agora presidiário, Eduardo Cunha. O ex-presidente da Câmara ficou conhecido por sua desfaçatez, ou falta de vergonha na cara mesmo, durante seu mandato na Câmara.

Cunha, que dizem as línguas as quais não podemos julgar se são boas ou más, ajudou a financiar a campanha de diversos colegas de câmara (e espero que algum dia colegas de presídio), chantageou o governo na cara dura e sempre teve as suas ações nada ortodoxas na câmara acobertadas pela mídia, que durante a agonia do governo Dilma, foi muito gentil com o Cunha.

A cobertura da imprensa ajudou inclusive a formar “fã-clubes” em várias manifestações de direita durante o impeachment – eram milhões de Cunhas (talvez todo esse tempo a faixa estivesse se referindo à quantidade lavada nos trust’s).

Na semana passada, o observador viu a investigação sobre a corrupção do Aécio honrar o DNA tucano e ser engavetada no Senado. Com provas e áudios (que chocaram os conservadores não pela corrupção exposta, mas pelos palavrões do ex-quase-presidente).

Na defesa, senador João Alberto seguiu a mesma linha do vídeo que Aécio usou nas redes sociais e sugeriu que o senador que pediu R$2mi a Joesley “só queria vender um apartamento de família“. O doce Aécio permanece senador, ao lado do seu amigo Perrela, aquele que “não faz nada de errado, só trafica drogas”.

O Lula (e aprendemos com os grandes veículos de imprensa que não se pode falar em crise política sem citar o Lula. É a nova lei da imprensa tradicional, toda matéria deve consistir em: “os políticos são todos corruptos, mas o Lula é muito mais”) também não teve muita desfaçatez ao atribuir tudo o que não conseguia explicar a dona Mariza.

E como a crise é generalizada, não podemos deixar de citar o Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, que já defendeu o governo de Michel Temer e foi flagrado em áudios divulgados na Operação Lava Jato conversando com Aécio, diz que “não sente constrangimento” em conduzir investigações sobre eles.

Eles não se constrangem mais e parecem não precisar diante de uma população que assiste a tudo hipnotizada, apenas obedecendo aos comandos: -Agora se indignem; -agora peguem as suas panelas; -agora dancem; -agora não façam nada; -a culpa é do PT; -o Brasil está entrando nos trilhos.

Os hipnotizados só não entendem que eles estão amarrados nesses trilhos.


“…brasileiros pós-ditadura ainda se encontram em estado de coma semi-profundo
e um dos sintomas mais visíveis é a falta de percepção.
Acariciam o lobo achando que é seu animal de estimação.
Não conseguem diferenciar
banqueiros de bancários
megatraficantes de meros funcionários
e assim permanecem estagnados,
quando não regredindo…”
(Letra: Contexto/Planet Hemp)

Rosana Medeiros

Rosana Medeiros

Publicitária, estudante de marketing político e feminista, que acredita nas pessoas e na educação como ferramenta de transformação.

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