Nova queda dos juros e incertezas, por Ricardo Coimbra

Após quase quatro anos, a taxa Selic chegou próximo ao patamar histórico, caindo a 7,5% a.a.  Se a equipe econômica fosse mais arrojada, já teria provocado quedas mais acentuadas. Em face de forte retração econômica por que passa o país, e com uma expectativa de inflação muito abaixo do centro da meta para o ano de 2017, pode-se até romper o mínimo de 3%. Se junta a isso o fato de que a taxa de juros real (ainda em média de 3,5% a.a) não é suficiente para estimular de forma efetiva a recuperação da atividade econômica.

O que se constata é que as demais taxas de juros ainda continuam num patamar bastante elevado. E para se alcançar uma redução mais efetiva dos juros, na visão do mercado e do próprio governo, são necessárias aprovações das reformas. Mais especificamente, as do âmbito fiscal e creditícia, além dos ajustes na economia brasileira que possam garantir o re-equilíbrio das contas públicas. Contudo a fragilidade política do governo dá sinais da dificuldade de implantação de tais medidas. Principalmente, no que tange a efetividade de uma reforma previdenciária, qualquer que seja ela, capaz de reduzir a perspectiva de crescimento dos gastos do governo ao longo dos próximos anos.

A aprovação da medida provisória 777, que contemplou a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada em contratos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Taxa de Longo Prazo (TLP), torna  evidente que o governo terá que implementar mecanismos mais duros contra os gastos públicos. A implementação da TLP, na visão da equipe econômica, traz a possibilidade de ajuda na queda do juro estrutural da economia e na melhora da potência da política monetária. Visto que a mudança gera uma redução dos subsídios, e se atrela o ‘funding’ do BNDES às taxas de mercado.

O que é difícil de prever é se a adoção da TLP terá o efeito esperado. Essa nova taxa de juros para o longo prazo definida de acordo com a remuneração de título pós-fixado do Tesouro Nacional indexado à inflação, mais próxima das taxas de mercado, será mais ou menos instável? Será mais elevada e não competitiva com o que é cobrado no mercado internacional, e em momento de baixa procura por crédito e liquidez abundante? Ou seja, será capaz de atrair o capital financeiro privado para o financiamento de longo prazo, saindo da comodidade da Selic no overnight?

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra

Mestre em Economia, Professor Fa7/Fanor-DeVry/UECE, Conselheiro Apimec/NE.

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