Interesses partidários nas escolhas e destino dos recursos financeiros, por Haroldo Araújo

O Brasil inflacionário tomou corpo nos anos cinquenta e o fato é que essa cultura desestimularia os investimentos do setor privado, principalmente em negócios que pudessem imobilizar grandes somas. Com a inflação ninguém sabia se estava ganhando ou perdendo. Evidentemente um grande problema: A referência das trocas é a moeda. Nossa moeda sofria desvalorizações e desencorajava os empreendedores. A luta era pelo emprego nem que fosse público.

Sabemos que quando o setor privado não tem condições de oferecer crédito para os negócios é o governo quem cria essas oportunidades. Instituições financeiras brasileiras públicas e privadas, cumpriram essa missão com a utilização de programas governamentais e os recursos chegavam ao tomador final em condições satisfatórias. Era a mão do governo no setor real da economia e que sabia de sua importância para a viabilização de oportunidades de negócios.

Como dissemos, era necessária a interferência do governo em função das carências de um país mal saído da produção agrícola sem grandes recursos tecnológicos para a industrialização. Os programas de longo prazo trouxeram essa oportunidade. As melhoras ofertas de taxas de empréstimos vinham dos bancos públicos. Logo verificou-se que essa situação de empréstimos com recursos governamentais se esgotaria, inclusive porque os juros eram subsidiados.

Crédito com fartura é diferente de crédito adequado! Ainda recentemente os veículos particulares eram financiados em até 100 meses, criavam-se 2 problemas: Locomoção urbana e inadimplência crescente. A fartura de crédito era também decorrente da conjuntura internacional que gerava liquidez para turbinar os negócios e por essa razão é que afirmamos que os governos de esquerda perderam o Timing para as transformações requeridas no Brasil.

Caberia ao governo equalizar as taxas de mercado, como foi feito com operações amparadas em TJLP e depois TLP. Essa aproximação de taxas deveria se dar na justa medida em que a inflação recuasse de tal modo que as operações em maior prazo não mais se tornassem em pesadelo dos emprestadores. Tínhamos que chegar à um patamar de juros e inflação capaz de aproximar operações de longo e de curto prazo. Em 07.02.2018 o COPOM fixou a taxa juros em 6,75% a.a. Pois é! Foi preciso um novo governo para enxergar essa janela.

Esse patamar de juros é o menor desde 1986 e, portanto, um motivo de comemoração pelo setor real da economia. Se o centro da meta de inflação a ser perseguida pelo BC é de 4,5% em 2.018, 4,25% em 2.019 e 4% em 2.020, teremos neste ano de 2018 o seguinte cálculo dos juros reais: 6,75 – 4,50 = 2,25. Então podemos imaginar que é possível encontrar e montar negócios rentáveis e com margem capaz de absorver 2,5% a.a. em suas planilhas de custos.

O governo central já foi interventor e protecionista, até quando essas atitudes poderiam trazer alento. Interferências desmedidas, ainda que bem-intencionadas, aos poucos vão-se tornando prejudiciais. Seria importante observar uma adequação através de projetos que se amparassem em oportunidades geradas interna e externamente. Quem mais gera emprego não são governos, são as políticas e elas é que poderiam permitir o aproveitamento de todos nós.

Atuando em favor da economia como um todo e nunca de forma assistencial como foi culturalmente absorvida e internada aqui no Brasil pelo mundo dos negócios Entendemos que o caminho seja esse: Criar as condições para que todos os segmentos carentes de recursos financeiros tenham “Igual Acesso ao Crédito” e possam viabilizar projetos e que sejam oportunidades em iguais condições e sem interferências de políticas de cunho ideológico em quaisquer níveis e de qualquer espécie. Uma política de estado e não de governo seria ideal.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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