As instituições democráticas enfrentam um grande desafio, por Haroldo Araújo

Uma greve próxima das eleições majoritárias é o que menos se poderia desejar para testar nossa muito jovem democracia. Quanto maior o desafio, maior será a vitória da sua consolidação. Apesar de que algumas figuras políticas se desesperem com a situação a que chegamos e às vezes pedir uma intervenção militar, a lucidez da grande maioria mostra elevado nível de compreensão do que seria representativo de um grande retrocesso para uma nação.

Ontem pude assistir a uma sessão de votação no Senado da República em que as discussões mostraram amadurecimento político. O líder do governo fez uma advertência contra aqueles que apresentavam sinais de volta ao passado, em que se evidenciava a tese do quanto pior melhor. Acaloradas discussões e o bom senso prevaleceu. Houve aprovação de medidas que objetivavam viabilizar o elevado desconto de R$ 0,46 para o óleo diesel.

O governo central é o acionista majoritário da nossa petrolífera e pode indicar seu presidente, agora muito contestado em sua política de preços. Contestação que se expressa numa anunciada greve de petroleiros em que na pauta se pede o afastamento do dirigente indicado pelo governo, o Dr. Pedro Parente. De outro modo, a greve dos caminhoneiros vem sendo enfrentada pelo governo com mais erros do que acertos. Fica o alerta para os próximos passos.

A decisão dos senadores em aprovar o fim da desoneração da folha de pagamentos para 28 setores da economia, ainda no ano de 2018, é prova evidente de força da democracia ou da prova cabal de que já se percebe grande crescimento dessa visão holística de nossos congressistas. Imagine se partidos de esquerda aprovariam a eliminação das alíquotas do PIS/COFINS sobre o diesel. Essa última aprovação foi alvo de uma contrapartida de VETO a ser exigida de Temer.

Fica evidente a confiança depositada no Presidente da República de que ao receber essa aprovação do Senado e sem que o projeto precise voltar para a Câmara, portanto sem emendas, fique o compromisso de Michel Temer de vetar essa eliminação de alíquotas do PIS/COFINS. Fato que obrigará o governo central a buscar novas fontes para alcançar a redução proposta para o diesel em menos R$0,46 por litro na bomba.

Acontece que o PIS/COFINS é fonte para a seguridade social, seguro desemprego e que será direcionado à assistência social. Aqui está o motivo pelo qual fica o entendimento de que os partidos de esquerda depositaram um voto de confiança no Presidente da República no sentido de ser vetado o item. Nossa confiança na política se funda na mensagem de que não há o “Quanto Pior Melhor”, não neste particular momento, difícil quadra que ora o país atravessa.

Parabéns à classe política que, em prol da democracia e da recuperação de nossa economia, deposita um voto de confiança em Michel Temer. Não se trata de travar embates políticos de forma oportunista, mas de pensar grande na certeza da superação de desafios que surgiram de forma inesperada. Avançamos no processo democrático de modo que o estágio alcançado nos garante a certeza de superação de situações nunca esperadas.

Não podemos carregar elevados encargos sociais e trabalhistas, pesada carga tributária e a falta de recursos para financiar projetos no sentido de oferecer capacidade logística com boas estradas aos transportadores e que agora que se vêm diante da inviabilização de suas atividades, financeiramente falando. Havia casos em que transportadores chegavam ao fim do mês com prejuízos acumulados. Pagavam para transportar! Governistas e oposicionistas se entendem!

Estamos falando de um país que precisa fazer ajustes ou inviabilizará outras atividades.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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