A forma de atuação política atrapalha a saída da crise, por Haroldo Araújo

A dimensão de uma crise poderia ser amenizada com a ação política. Mesmo uma situação adversa na economia pode ser melhor enfrentada com acordos sim, desde que esses acordos se firmem em torno dos interesses maiores da nação, evidente que o povo é o maior beneficiário. Poucos se tocam para a questão da credibilidade das propostas de saneamento das finanças, no exato instante em que se colocam contrários ao que não cabe discordância.

Sabemos que é diferente ser contra alguns itens e ser contra a necessidade das reformas e ajustes que vêm sendo propostos. Não é popular e muito menos populista a postura presidencial que adota o enfrentamento de medidas que certamente aumentam o tempo de contribuição e também a idade mínima para a aposentadoria. Os discursos dos parlamentares contra, demonstram evidências de busca de coerência com as bandeiras partidárias e em nenhum momento uma responsável preocupação com o futuro.

Vejam o momento brasileiro! A taxa SELIC em queda, agora em 12,25% a.a.! Se considerarmos que esteve durante mais de 1 (hum) ano em 14,15% a.a. entre JUL/2015 e AGO/2016 com essa mesma taxa de 14,15% a.a.. Abrangendo o segundo mandato de Dilma e entrando no mandato provisório de Michel Temer. Sabemos da importância da Taxa do Banco Central para trazer a inflação ao seu patamar de volta à meta fixadas e JUROS quase abaixo do centro da meta. Como se isso não bastasse, as contas públicas começam 2017 com Superávit Primário de R$ 18,9 bilhões. Aquela perna do tripé abandonada por Dilma e que lhe custou o mandato.

Considero imediatista a postura dos que não conseguem vislumbrar esse futuro de nossa economia, e de forma incompreensível se munem de argumentos para detonar uma onda de inconformismos pelo Brasil, principalmente nos estados mais deficitários no particular caso de atraso no pagamento de seus aposentados. Até servidores na ativa já estão sentindo as consequências da falta de um ajuste para saneamento das finanças que saneadas pagarão os salários em dia. A comissão que estuda a reforma da previdência averiguava se os problemas estariam vinculados, ou não? A solução de cada problema ajuda na solução do outro.

Vinculados estão vários problemas como o que agora surge do chamado rombo das Elétricas e a conta de R$ Bilhões a ser paga por nós, como? Ou pagamos diretamente na conta de Luz ou pagamos pelo aumento de Impostos. O que você prefere? O que foi isso? Foi apenas um dos equívocos do governo afastado. Equívocos que certamente logo estarão esquecidos e provavelmente em 2018 uma das figuras desses equívocos estará de volta como nunca dantes.

Voltando à questão das posições contrárias a alguns pontos e não à reforma em si, entendemos que se deva cobrar mais responsabilidade dos que estão incumbidos do exame da proposta, para não contaminar a União com o que se passa em alguns estados em que se chega a comparar com a situação da Grécia em que o déficit foi aumentando de tal forma que contaminou toda a economia da nação. É essa a razão pela qual cobramos uma postura mais responsável de todos quanto têm a incumbência de estudar o problema brasileiro.

Inaceitáveis são as críticas totalmente desprovidas de argumentos técnicos capazes de oferecer convencimento e certamente com argumentos recorrentes há décadas nas disputas de votos de eleitores em campanhas eleitorais. Basta observar o que dizem nas tribunas para perceber que continuam falando para eleitores e não para solucionar um problema que sabemos, ainda não foi tratado com a seriedade que o tema carece e nunca é discutido.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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