A força da televisão, por Gilvan Mandes

Rendeu muitos comentários a ida de Michel Temer ao programa dominical de Silvio Santos no SBT. Setores da oposição ao governo usaram as redes sociais para demonstrar insatisfação com o fato do apresentador usar o seu tradicional espaço televisivo para propagandear a Reforma da Previdência desejada pelo presidente peemedebista. Polêmicas à parte, esse ocorrido é significativo no debate sobre o potencial político da mídia televisiva, e o seu papel comunicativo em um país como o Brasil, tendo como pano de fundo uma sociedade global contemporânea extremamente carente de informação a todo custo. 

Não precisa ir muito longe na história para lembrar da eleição presidencial de 1989, onde deliberadamente a Rede Globo favoreceu o então presidenciável Fernando Collor, prejudicando o seu oponente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse exemplo é ilustrativo sobre a força com que a chamada mídia tradicional pode ter nas decisões políticas e napercepção pública dos indivíduos sobre um determinado fato, tendo em vista que uma parcela considerável da população brasileira possui sérias dificuldades em interpretar determinados acontecimentos nacionais, e o jornalismo televisivo serve como guia da opinião e da reflexão sobre a realidade.  

É fácil notar que isso está mudando mais rápido do que o imaginável. A internet se tornou o grande palco de atuação dos sujeitos importantes para o jogo político, não esquecendo do clima de ódio e intolerância, os debates nacionais mais candentes nos dias de hoje surgem nas redes sociais, e lá se espalha pelo mundo real. Os criadores de conteúdo para as plataformas de vídeos na web praticamente formam a opinião de certos indivíduossobre algumas questões consideradas relevantes, a rede denuncia, julga e condena muitas vezes sem direito a defesa ou ao contraditório. Sem dúvidas é uma nova configuração da disputa política com que temos que nos acostumar.  

Ainda assim, um canal como o SBT tem um peso considerável perante o público. Nesse sentido, o fato de Silvio Santos ter permitido que Temer fizesse uma defesa acrítica de uma reforma com pouco apoio popular em nada contribui para a pluralidade de ideias e o bom jornalismo. O célebre apresentador usou uma possível convicção pessoal e transmitiu sem nenhuma preocupação em seu espaço midiático, em termos sociológicos, usou e abusou da ”ética da convicção’‘ rejeitando por completo a‘ética da responsabilidade”. Esquecer a objetividade e a pluralidade de ideias é uma descaso com a população brasileira e com o bom jornalismo. E não adianta jogar aviãozinho!

Gilvan Mendes Ferreira

Gilvan Mendes Ferreira

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará.Com interesse nas áreas de Teoria Política , Democracia e Partidos Políticos.

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