A força da grana se ergue e destrói coisas belas, por Capablanca

A mais alta corte do campo da justiça eleitoral já decidiu: candidatos podem financiar com recursos próprios até cem por cento de suas campanhas eleitorais deste ano de 2018. Olhe cada brasileiro para seu estado e comece avaliando pelo Senado: quem são os atuais senadores? Quem serão os candidatos ao Senado em 2018? Provavelmente, as respostas para as duas perguntas encontrarão os nomes de homens brancos, ricos e com laços de todo tipo com o poder. Agora avalie as posições políticas dessas personalidades e provavelmente você os encontrará ao lado da onda neoliberal que agora tem todos os comandos da República.

O mesmo raciocínio valerá para a Câmara Federal, com a eleição dos candidatos a deputado federal, embora essa leitura fique mais embaraçada porque os grandes números diluem as evidências. Teremos, pois, mais do mesmo. O discurso de moralização e mudança já morreu, só em forma de vampiros eles aparecem aqui e ali com a cara mais lavada. Se o atual conjunto dos representantes do povo votou contra os interesses mais diretos e imediatos da maioria (os trabalhadores são maioria no Brasil), a composição da próxima legislatura não inspira qualquer esperança de mudança. Será mais do mesmo, talvez com alguma piora, até mesmo pelo cansaço e pela desesperança.

Esvaziar a Petrobrás, entregar o pré-sal às petroleiras a preço baixo, privatizar a Eletrobrás com pressa, desnacionalizar a Vale e a Embraer (riquezas naturais e alta tecnologia), enfraquecer o BB e a CEF, imobilizar o BNDES, entre outras coisas, como manter juros altos demais e câmbio artificialmente valorizado e instável, só na cabeça de economistas fanáticos é estratégia capaz de trazer crescimento econômico e desenvolvimento. Esse conjunto de ideias e propostas não se põe de pé, não se sustenta, não resiste ao menor debate. Só o fanatismo cego e surdo o defende.

Efetivamente, é como se a equipe econômica tivesse lavado as mãos e deixasse tudo, absolutamente tudo, aos cuidados do mercado. E dissesse ao morto: “levanta-te e anda! Puxa-te pelos teus próprios cabelos! Ergue-te e corre!” E, com essa medida, a mais alta corte de justiça eleitoral, ajuda a diminuir a esperança de que a mudança positiva venha do campo político-institucional.

Claro que isso tende a não acabar bem. Os resultados econômicos serão pífios e a tragédia social só se aprofundará.

Enquanto isso, só se pode cantar de verdade que “a força da grana se ergue e destrói coisas belas…”.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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