ELE mata e morre de amor em legítima defesa

ELE mata e morre de amor em legítima defesa

“Por muito tempo, a sociedade considerou normal o perdão de quem matou seu “objeto de desejo”. A defesa utilizava o recurso de legítima defesa da honra para absolvição do “réu”. Tais crimes eram resolvidos nos espaços domésticos, ou seja, na “instituição sagrada”, contravenção, pela Justiça Criminal, a família que “solucionava-se” esses problemas. Não era considerada contravenção, pela Justiça Criminal, a agressiva que a mulher era submetida, (BESSE, 1999)”.

“No que se refere à ordem Judiciária, as Ordenações Filipinas, corpo de leis que regeram a justiça em todo o Brasil durante o período colonial, enfatizam a preservação da honra familiar em torno do “adestramento” da sexualidade feminina e a naturalização da violência contra a mulher. […] Admitia-se ainda, nesses documentos, que se o homem matasse a mulher e seu amante se surpreendido em adultério, o mesmo não valia para mulher traída. Porém, o primeiro código penal do ano de 1930 eliminou essa regra.”

“Blay (2008) ressalta a década de 1960 e 1970 como o momento em que se tornaram públicos os crimes cometidos contra as mulheres, consequentemente, cresceram os movimentos em defesa a vida das mulheres. O grande auge foi o assassinato de Ângela Diniz por seu companheiro Doca Street, que não aceitava à separação. A libertação do assassino e a morte dessa mulher comoveram a sociedade, então, mulheres reuniram-se com um grande clamor de justiça com o lema “Quem ama não mata”, pois, nesse julgamento, a absolvição de Doca Street ocorreu devido à defesa do caráter do réu, além da importância em denegrir a “vítima” mostrando como ela o levara ao ato criminoso”.

“O significado da divisão de papéis é grandioso, os sujeitos enraízam mentalmente essa relação de hierarquia, naturalizando e não questionando um sistema simbólico de honra e de dominação masculina, é chamada violência simbólica que é incorporada pelos indivíduos, (BOURDIEU, 1998)”.

(Trecho do livro O feminino Dilacerado: “Purificação” e “Santificação” de Mulheres assassinadas no Ceará, de Daniela Alves; EdUECE; EDMETA, 2012).

Thinally Ribeiro

Thinally Ribeiro

Graduanda em Serviço Social na UECE.

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